domingo, 11 de março de 2012

TRAMÓIA DE LULA E SILVIO SANTOS


A edição dominical da Folha de São Paulo traz uma entrevista com o ex-presidente do Grupo Silvio Santos, Luiz Sandoval. Pela primeira vez desde que foi revelado o rombo no banco PanAmericano, um executivo próximo ao empresário Silvio Santos concede entrevista e revela qual a relação do governo federal com o dono do SBT. Abaixo reproduzimos trechos da reportagem que pode ser lida na íntegra aqui (para assinantes).

Como foi a negociação com a Caixa e com o governo?
Em fevereiro de 2009, a situação do PanAmericano era muito grave e precisávamos encontrar um sócio. O Silvio pediu para eu procurar o Lázaro Brandão, do Bradesco. Mas o banco não se interessou. Aí fui à Caixa.

Por que demorou tanto?
Demorou mais do que o Silvio gostaria. Ele tinha pressa e me pressionava. Para tranquilizá-lo, o Márcio Percival [presidente da Caixapar] marcou um encontro com o ministro Guido Mantega [Fazenda]. O ministro garantiu que o negócio interessava ao governo e que iria sair.

Por que o governo tinha interesse no PanAmericano?
Muitos bancos menores tentaram ter a Caixa como sócia. Mas que banco tinha Silvio Santos como dono? Isso deixou a Caixa com olhos grandes. A Caixa também teria anúncios no SBT desfrutando dos mesmos descontos dados às empresas do grupo.

(…)

Qual foi a posição da Caixa após o rombo?
Quando o rombo veio a público, a Caixa pediu que o Silvio cobrisse. Pedimos um empréstimo, dando os ativos do grupo em garantia.

E como o Silvio foi informado?
Tentei avisar o Silvio no mesmo dia em que fiquei sabendo, uma quinta-feira, mas ele só quis nos receber no sábado, após a gravação do programa. Fomos até o SBT. O Silvio não entendeu nada e perguntou: “Eu fui roubado?”. Respondi que sim e, surpreendentemente, o Rafael Palladino ficou calado.

O que o Silvio fez?
Ele é um sujeito frio. Pediu uma solução até a segunda-feira. Depois começou a receber diretores envolvidos na fraude, isoladamente, em sua própria casa. Palladino foi o último e não sei o que falaram. Só sei que hoje ele é chamado de Judas pela família. Antes, era o queridinho.

Mas e a solução?
Silvio pediu que eu procurasse novamente o Bradesco. O banco me aconselhou a não procurar nenhum outro banqueiro. Acho que para não espalhar a situação… Logo depois, o Silvio pediu para que eu procurasse o FGC [Fundo Garantidor de Créditos].

O encontro de Silvio Santos com Lula tinha a ver com isso?
A conversa de que o Silvio tinha ido até lá para pedir uma participação dele no Teleton foi um discurso para a imprensa. Ele foi lá pedir a ajuda do presidente.

Funcionou?
Quando cheguei lá [no FGC], tive a sensação de que o acordo já estava pronto. Só negociei as condições.


Comentário:

Luiz Sandoval só confirma o que suspeitávamos desde o ano passado:

No dia 22 de outubro de 2010, poucos dias após tomar conhecimento do rombo no PanAmericano, Silvio Santos atropelou a agenda presidencial e “visitou” Lula no Palácio do Planalto. Na saída do encontro, driblou os aparvalhados jornalistas afirmando que estava lá para arrecadar doações para o Teleton. A platéia sorridente acreditou:

sexta-feira, 9 de março de 2012

O SUPREMO DE JOELHOS


Por Ivan de Carvalho

O Supremo Tribunal Federal teve que adotar ontem, às pressas, e por maioria – com os votos contrários dos ministros Marco Aurélio Mello e Cezar Peluso, este presidente da corte –, uma decisão que restringiu os vastos efeitos potenciais da decisão de quarta-feira que declarou a inconstitucionalidade da lei que criou, em 2007, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (IMIC).

Esta lei resultou de uma medida provisória que havia sido aprovada sem que antes houvesse um parecer da comissão mista de deputados e senadores que a Constituição determina deva se pronunciar sobre as MPs antes que elas sejam votadas pelo Congresso, separadamente na Câmara e Senado, transformando-se em lei após a sanção presidencial. A Constituição exige, expressamente, que a comissão mista (não seu relator), emita o parecer.

A MP que criou o Instituto Chico Mendes foi votada pelo plenário do Congresso Nacional com base na Resolução 1/2002, que permitia a conversão em lei de MPs apenas com base no parecer do relator da comissão mista, mesmo que este parecer não fosse, por falta de quorum, votado a tempo pelo plenário da comissão. O Supremo Tribunal Federal também declarou esta resolução inconstitucional, o que deixou a descoberto a inconstitucionalidade da lei originada na MP sobre o Instituto Chico Mendes.

O STF, no entanto, recorreu ontem, provocado pela Advocacia Geral da União, à lei 9.868, de 1999, que lhe permite, por maioria qualificada de dois terços, ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo – por motivo de segurança jurídica ou “excepcional interesse social” – “restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado”. Esta lei é o “jeitinho brasileiro” antecipadamente preparado para evitar efeitos explosivos e retumbantes, como os que teria a declaração de inconstitucionalidade da MP-lei que criou o Instituto Chico Mendes. E o STF lançou mão do “jeitinho”.

É claro que, sem esse “jeitinho” providencial, todas as leis decorrentes de conversão de MPs que não tivessem sido votadas pelo plenário da comissão mista constitucionalmente exigida seriam ou poderiam ser questionadas como inconstitucionais. Centenas de leis originadas de MPs estavam ameaçadas.

O STF ontem decidiu que apenas as novas medidas provisórias estarão obrigadas a seguir o rito constitucional no Congresso, no que diz respeito à comissão mista. Quer dizer: em nome da “segurança jurídica ou excepcional interesse público”, a norma do parágrafo 9º do artigo 62 da Constituição vai valer só daqui para a frente, esquecendo-se o passado. Uma espécie de anistia para essa repetida inconstitucionalidade específica exatamente porque a inconstitucionalidade incidiu sobre leis originadas de MPs que tiveram e ainda têm (como, talvez, a MP que criou a autoritária Ancine) muita influência no Estado e na sociedade.

Na quarta-feira, o STF dera prazo de dois anos para o Congresso regularizar, se é que se pode dizer assim, todas as leis inconstitucionais originadas de MPs já aprovadas. Essa parte da decisão de quarta-feira foi extinta ontem pelo Supremo.

Uma questão: será constitucional a lei em que se baseou o STF e que lhe permite restringir efeitos de declarações de inconstitucionalidade, mesmo que isto implique em “anistiar” inconstitucionalidades e validar leis que o próprio tribunal reconhece como inconstitucionais? Sei lá, entende? Fica aos constitucionalistas a complexa resposta. Mas não para dizer que constitucional é o que o STF diz que é. Assim, não tem graça.

segunda-feira, 5 de março de 2012

ENGOLE O CHORO, DILMA!


de Guilherme Fiúza

A troca de guarda no Ministério da Pesca comoveu a República. Os momentos históricos são assim mesmo: abalam os corações mais duros.

A presidente Dilma Rousseff é uma gerente implacável, conforme Lula contou ao Brasil. Uma dama de ferro da administração pública. Dizem que barbados e engravatados tremem na base ao despachar com ela.

Ficou famosa a história de que, numa reunião palaciana, a presidente mandou o ministro da Fazenda “engolir o choro”.

Não é difícil imaginar Mantega se derretendo diante da Tatcher brasileira. Os olhinhos perdidos do ministro devem ter piscado mais do que nunca, especialmente se a voz grave da chefe estivesse naqueles dias de tratar os circundantes como “meu filho” e “minha filha”. Sai de baixo.

E será que algum fato da vida seria capaz de emocionar uma comandante assim tão firme, quase rude de tão pragmática?

Sim. Nenhum ser humano está imune a um evento trágico, desses que testam os limites da existência – como a demissão do companheiro Luiz Sérgio.

Assim como o suicídio de Getúlio Vargas, as baixas em Monte Castelo, a renúncia de Jânio Quadros e a morte de Tancredo Neves, a queda de Luiz Sérgio traz uma carga de comoção quase inassimilável.

E tudo indica que o país esteja atravessando um momento histórico especialmente denso, porque um mês antes a dama de ferro também tinha chorado. O outro tsunami emocional viera da despedida do companheiro Fernando Haddad do MEC.

Na ocasião, o detonador da comoção foi a aparição de Lula com a cabeça raspada. Tão ou mais tocante do que o culto evangélico comandado por Crivella na troca de guarda com Luiz Sérgio.

Se você também se emocionou com esse momento histórico, aleluia, irmão.

Mas se você acha que Dilma Rousseff tem que decidir entre a personagem da dama de ferro e a da mulher sensível, e que essas lágrimas todas são para endurecer sem perder a ternura e a eleição de São Paulo, só lhe resta o brado inevitável:

Engole o choro, Dilma! Tenha compostura no cargo e poupe-nos da sua novela mexicana, se não for pedir demais.

sábado, 3 de março de 2012

DILMA FOI TORTURADA?


do jornal O Globo

O general Luiz Eduardo Rocha Paiva acha que a Comissão da Verdade, para não ser “parcial e maniqueísta”, tem que convocar também os que participaram de ações armadas, direta ou indiretamente. Não hesita em perguntar até se a presidente Dilma Rousseff não tem que depor:

- Ela era da VAR-Palmares, que lançou o carro-bomba que matou o soldado Mario Kozel Filho. A comissão não vai chamá-la, por quê?

Rocha Paiva se refere ao atentado ocorrido em 26 de junho de 1968 no Quartel-General do II Exército, em São Paulo. Até 2007 Rocha Paiva ocupava posição de destaque no Exército. Foi comandante da Escola de Comando do Estado-Maior do Exército e secretário-geral do Exército. Abaixo, trechos da entrevista:

O GLOBO: Por que o senhor é contra a Comissão da Verdade?

ROCHA PAIVA: Eu sou contra a Comissão da Verdade, agora não adianta ser contra. Ela vai existir. Era contra no momento em que ela pretende apurar a memória histórica do país. Isso é trabalho para pesquisadores e para historiadores e não para uma comissão, que eu vejo como uma comissão chapa branca. Ela busca a reconciliação nacional depois de 30 anos, e não há mais cisão nenhuma, que tenha ficado do regime militar, inclusive porque as Forças Armadas são instituições da mais alta credibilidade no país. Então, não vejo a necessidade. Acho que se há alguma coisa a investigar é só usar a Policia Federal e, com vontade política, a presidente tem autoridade pra ir até onde ela quiser, respeitada a Lei de Anistia. Eu fiz uma análise da lei da Comissão Nacional da Verdade. E eu vejo que essa lei não é imparcial. Esse facciosismo e o provável maniqueísmo  do seu relatório a gente pode ver a partir dos  objetivos.

Por que o senhor acha que é parcial?

ROCHA PAIVA: O objetivo é promover o esclarecimento de torturas, mortes, desaparecimentos forçados e ocultação de cadáveres. Por que não promover também o esclarecimento de atentados terroristas e sequestros de pessoas e aviões e de execução e justiçamento até de companheiros da luta armada que tentavam desertar? Ora, a pessoa pode alegar, na comissão, que isso não é objeto da lei, mas tinha que ser objeto da lei. O outro objetivo da lei é tornar públicos os locais e instituições e instâncias onde ocorreram violações de direitos humanos. Ora, por que não também tornar  públicos os locais de cativeiros de sequestrados, os locais de atentados terroristas e as áreas de homizio da luta armada, dos grupos armados dos partidos ilegais que conspiravam não para trazer liberdade para o país e democracia, mas para implantar aqui uma ditadura totalitária comunista?

O argumento de quem defende a lei é de que quem esteve contra o regime foi punido. Foi preso, foi torturado, foi exilado. E o Estado exercia o poder. E exerceu o poder contra o cidadão de forma autoritária, de forma abusiva. O que o senhor acha desse argumento?

ROCHA PAIVA: Eu acho que ele não cola. Pelo seguinte: nem todos os assassinos, terroristas, nem todos os sequestradores são conhecidos. Alguns que executaram a ação, sim, são conhecidos. Outros que planejaram ou estiveram no apoio logístico e no financiamento, esses não são conhecidos. Então, eles deveriam ser conhecidos também.

Por que os militares quando tinham todo o poder não fizeram essa apuração?

ROCHA PAIVA: Às vezes, não havia condições de fazer. Não houve possibilidade de fazer. porque se estava combatendo grupos armados que estavam executando operações. Veja bem uma coisa: a lei estabelece que as atividades da comissão não terão caráter persecutório e jurisdicional. No entanto, o ministro Ayres de Britto, do STF reconheceu, em parecer, à revelia da Lei da Anistia, o direito daqueles que se sentiram vítimas do regime militar moverem ações civis indenizatórias contra ex-agentes do Estado. Ora, se houve anistia, quem tem que indenizar, como já está fazendo, é o Estado. No momento que o ministro Ayres Britto abre esse precedente, quem for ouvido na comissão da Verdade poderá estar produzindo provas contra si próprio. Agora, ele abriu um precedente também e aí é que eu digo que a Comissão da Verdade, embora não esteja disposta a investigar os crimes da luta armada, se uma pessoa foi vítima de uma ação da luta armada, e ficou com sequelas, ela também tem o direito, até baseada no parecer do ministro Ayres de Britto, de mover ações civis indenizatórias contra esses guerrilheiros, terroristas, que numa ação armada deixaram uma vítima ou sequela em alguém. Eles terão direito, se não for investigado o que foi feito pela luta armada, essas pessoas não saberão quem são os responsáveis por suas sequelas. E a Justiça é igual para todos.

O senhor não acha que é preciso saber o que aconteceu com as 183 pessoas que desapareceram, entre eles pessoas que não tinham nenhum envolvimento com um órgão clandestino. Isso sem levar em conta que o que era legal e o que era ilegal era estabelecido por um governo que não foi eleito, era uma ditadura. Portanto a ilegalidade de alguns partidos é questionável. O ex-deputado Rubens Paiva sumiu dentro de uma guarnição do Exército. Ele foi preso, levado para o Terceiro Comar, e depois, de lá, para um quartel da Policia do Exército, onde foi visto pela última vez. A família há 41 anos busca informação e não tem. O Exército não tem a obrigação de dar informação?

ROCHA PAIVA: Como já falei, a presidente da República, comandante suprema das Forças Armadas, tem autoridade para abrir uma investigação. Ressalvada a Lei da Anistia, ela tem autoridade para abrir uma investigação. Por que ela não faz? Não sei. Não precisa uma comissão da verdade, que só vai investigar um lado, para isso. Veja bem: é emblemático o caso Rubens Paiva. Por que? O homem foi deputado, das classes favorecidas e todos se preocupam com ele e com Stuart Angel, também. Agora, por que os crimes do PC do B no Araguaia, crime como por exemplo o da perseguição e morte de mateiros, que eram guias das forças legais. Teve um que foi  torturado e assassinado na frente da mãe e do pai. Eles cortaram a orelha do rapaz na frente da mãe. O menino urrava de dor, a mãe desmaiou.

Os guerrilheiros do Araguaia foram quase todos mortos, exceto um ou outro.

ROCHA PAIVA: Nem todos. E quem os comandava, que estava em São Paulo a dois mil quilômetros de distância, no bem-bom?  Não vamos saber quem foram? Quem deu a ordem pra matar esse rapaz? Por que isso não é emblemático?  Porque ele era um zé-ninguém. Por que também não se apura quem deu ordem no PC do B para que as mulheres da guerrilha que engravidassem tivessem que abortar na região. Eles deram essa ordem.

O senhor sabe de torturas dentro do Exército? Chegou a ver?

ROCHA PAIVA: Não...eu não vi tortura dentro do Exército.

O senhor nunca soube de tortura dentro do Exército?

ROCHA PAIVA: Ah, para saber basta a senhora ir às livrarias, comprar uns livros, a senhora vai ver um rol  de casos de tortura.

O senhor não acha que isso é um desvio?

ROCHA PAIVA: Isso é um desvio, ninguém está dizendo que não é um desvio. Agora, não foi anistiado? Não é desvio também aqueles grupos armados revolucionários da esquerda, que seguiam linha maoísta, linha soviética, linha cubana, que queriam implantar aqui uma ditadura nos moldes das soviética, chinesa e cubana, que são as responsáveis pelos maiores crimes contra a Humanidade no século passado? Então, esses grupos que queriam se tornar Estado, usavam de atentados terroristas e tortura, com que moral esse grupo condena as violações no outro grupo?

O senhor acha então que está justificada a tortura dentro da instalação militar...

ROCHA PAIVA: Não. Eu não estou dizendo que está justificado. Estou mostrando o seguinte: que existiu uma luta, que foram cometidos desvios pelos dois lados, só que houve uma anistia.

Um lado foi punido. A presidente Dilma Rousseff ficou presa três anos e foi submetida a tortura.

ROCHA PAIVA: Sim, ela diz que foi submetida a torturas. A senhora tem certeza?

Ah, eu acredito nela...

ROCHA PAIVA: ah, e eu não sei. A senhora quer ver uma coisa? Veja bem.: quero um exemplo histórico de uma guerrilha revolucionária marxista, leninista, maoísta que não tenha usado violência, atentados terroristas e violado direitos humanos. Eu quero que me mostre um caso histórico de uma reação a essa esquerda revolucionária que tenha tido um desfecho tão pouco traumático como no Brasil. Porque na realidade, no Brasil, o governo e a oposição legal queriam a redemocratização do país. Então, no governo e na Arena era a redemocratização gradual e segura.

Demorou 25 anos...

ROCHA PAIVA: Exato. Dez anos de atraso. Dez anos de atraso, por causa da luta armada.

O senhor acha que a sua opinião é compartilhada pelos que estão na ativa?

ROCHA PAIVA: A opinião? Qual opinião? Eu não estou justificando a tortura. Tortura é crime como o terrorismo é crime. Sou contra endeusar terrorista, sequestrador porque estavam combatendo pela liberdade, porque não estavam. E satanizar o torturador. O torturador é um criminoso que vê a pessoa a quem ele está fazendo mal e ele causa mal a essa pessoa que é inimiga dele, em seus ideais. O terrorista bota bomba no cinema, no saguão do aeroporto e mata mulheres, crianças e até mulheres grávidas.

Como a bomba do Riocentro que foi levada pelo Exército?

ROCHA PAIVA: A bomba do Riocentro, o caso foi reaberto em 1999 em pleno regime democrático de direito. Foram apontados cinco responsáveis. O Juiz mandou arquivar por falta de provas.

Explodiu no colo do sargento, general

ROCHA PAIVA: Quem é que pode dizer o que aconteceu?

Todos os indícios. O senhor acha então que o Capitão Wilson, o sargento não estavam levando a bomba?

ROCHA PAIVA: O processo foi arquivado por falta de provas. A senhora acha que foram eles?

Sim, claro!

ROCHA PAIVA: Eu não tenho provas.

O senhor acha que essa sua opinião, essas suas opiniões, por exemplo contra a comissão da Verdade, são compartilhadas por pessoas que estão na ativa?

ROCHA PAIVA: Olha, eu não tenho dúvida de que é geral. Agora, a gente tem que ver o seguinte: o que um militar na ativa pode falar? Ele não pode falar contra o governo. Agora, digo para a senhora o seguinte: chefes militares cultuam hierarquia, disciplina e também justiça. Ante a iminência de uma injustiça que vai ser perpetrada contra seus subordinados, ele tem obrigação moral e funcional de - com franqueza, disciplina, sem alarde e dentro da lei - levar a sua posição a seus comandantes superiores. Se eles não fizerem isso, eles não são dignos de serem chefes. E o que está na iminência de acontecer? Com a comissão da Verdade, aqueles agentes do Estado, tenham ou não torturado - porque o que a Comissão da Verdade quer é expor a cara de todo mundo que tenha participado dos órgãos de inteligência, de informação; eles querem expor todo mundo - então, tenham ou não torturado. vai ser execrado. Eles têm obrigação moral de...esse pessoal entrou ali, muita gente combateu por ideal e se sacrificou. Se alguns cometeram deslizes, foram anistiados, assim como foram anistiados os terroristas, sequestradores e assassinos.

O que o senhor acha que os comandantes militares têm que fazer a respeito?

ROCHA PAIVA: Eles não têm que sair pra imprensa pra falar nada. O que acho que eles estão fazendo - eu não posso dizer, estou dizendo pela formação que eu tive - eles estão levando essa preocupação à presidente da República. Porque eu acho que o homem livre é escravo da sua consciência e a consciência é juíza perene de sua vida. Ele não é escravo de cargos e posições. Ele arrisca cargos e posições por aquilo que ele acredita que é seu ideal. Dentro da lei.

Dentro de uma instituição tão respeitável quanto o Exército Brasileiro houve tortura. Há várias provas. E o senhor mesmo disse que é desvio. Se é desvio, o Exército não deveria ser o primeiro a querer que fossem punidos para que tudo aquilo ficasse em pratos limpos?

ROCHA PAIVA: Olha, o que passou e foi anistiado não pode ser retocado. Veja bem: anistia não é um instrumento jurídico. É um instrumento político. No Brasil, a sociedade apoiou o governo no combate à luta armada. Anistia não foi para reconciliar a nação. A nação estava do lado do governo senão nós teríamos hoje talvez umas Farc aqui, ou um Sendero Luminoso. Para que veio a anistia? Veio para neutralizar radicas à esquerda e à direita, que poderiam prejudicar a redemocratização.

General, anistia estabelece que não pode haver punição. Mas ela não impede que se busque a informação. E não é isso que a Comissão da Verdade está fazendo?

ROCHA PAIVA: Nunca no Brasil, na História do Brasil, se precisou de Comissão da Verdade para saber o que aconteceu na ditadura Vargas. Historiadores fazem isso. Se quiser investigar crimes que tenham ocorrido, independente de anistia, faz-se uma investigação policial. A presidente chama a Policia Federal, o Ministério Público, quem quer que seja, e manda investigar.

Toda a vez que se pede aos comandantes militares documentos, eles dizem que os documentos foram destruídos. E aí será que não tem documentos?

ROCHA PAIVA: Agora, vamos ver o seguinte: existem normas de controle de documentos. sigilosos. Então, você pega e tem um inquérito. Os presos ficavam em organizações de Doi-Codi. Não eram tanto dentro de quarteis. Alguns ficavam dentro de quarteis. Eu mesmo quando cheguei a aspirante tinha preso no quartel que eu cheguei. Era preso normal. Levava a vida dele normal.

Levavam a vida normal não, estavam presos.

ROCHA PAIVA: Sim, vida de preso normal....

A Comissão quer buscar informação. Não é importante buscar a informação?

ROCHA PAIVA: Ah, sim. A senhora falou dos documentos. O que acontece? Faz-se um inquérito no quartel. Terminado aquele inquérito, ele vai para o STM. Chegando no STM, aquele inquérito está lá arquivado. No quartel, fica uma cópia. Essa cópia, a partir de determinado momento, é destruída. E esses inquéritos foram feios até 1979. Nenhum documento confidencial passa de ...naquele tempo eram dez anos.

Então, como saber o que aconteceu com Rubens Paiva, por exemplo?

ROCHA PAIVA: Se foi feito algum documento...

Ele morreu dentro de um estabelecimento militar. Ninguém tem registro?

ROCHA PAIVA: A senhora está dizendo, que ele morreu dentro de um estabelecimento militar. Eu não sei. A senhora tem certeza?

Ele foi visto lá pela última vez.

ROCHA PAIVA: Foi visto. Não estou dizendo que é o caso dele, mas tem gente que hoje em dia é considerado desaparecido, porque estava na luta armada, queria sair da luta armada, estava preso, recebeu documentação e mudou de vida. Então, alguns desaparecidos não querem nem aparecer. Um apareceu, que estava lá na Noruega, quando soube que ia receber dinheiro. Era um desaparecido que apareceu. Dona Miriam, veja bem...

No caso do Rubens Paiva, foi aberto um IPM para tentar descobrir que foi que aconteceu. Foi em 1986, mas ele foi arquivado sem que houvesse uma investigação séria. Portanto, o caminho de se fazer apenas a investigação às vezes não dá certo. Não é melhor criar uma comissão, como outros países fizeram?

ROCHA PAIVA: Os outros países fizeram comissões da verdade dentro de outros quadros. Veja bem: a  comissão da verdade emblemática é a da África do Sul, certo? Ela é feita antes de conceder a anistia. E pra receber a anistia, tinha que passar na comissão. E eram anistiados os dois lados., que confessassem seus crimes e relacionassem seus crimes a motivações políticas. Os dois lados foram anistiados. O Pacto de Moncloa, na Espanha, também anistiou os dois lados. Eu não vejo necessidade, depois de 30 anos, é só investigação policial. Porque chamar lá alguém pra ser ouvido: Ainda mais, veja bem: se eu sou um ex-agente do Estado e sou chamado na comissão da verdade, sabendo que alguém pode mover uma ação civil indenizatória contra a minha pessoa, estando eu anistiado, eu vou chegar lá e vou dizer que não sei de nada. Eu vou falar por quê? Qual a motivação que eu tenho? Se eu abrir a minha boca, vou ser penalizado. Depois de 30 anos? Então isso não tem explicação...

O senhor acha justo que os torturadores não sejam conhecidos, não sejam punidos, sequer se informe sobre os crimes que eles praticaram ou que tenham que dar explicação sobre pessoas que desapareceram quando estavam sob a custódia do Estado?

ROCHA PAIVA: Faça-se uma investigação, e não comissão da verdade. Eu não vejo porque eles têm que aparecer agora, porque eles estão anistiados. Por que não tem que aparecer também quem sequestrou, quem planejou? Se uma autoridade, hoje, tiver participado; até a presidente Dilma,tiver participado, seja diretamente ou indiretamente, que aí é co-responsável, de um crime que tenha deixado sequelas com vítimas, vai haver a comissão da verdade? A presidente vai aparecer?  É isso que a senhora quer depois de 30 anos?

O senhor não acha que o país tem que olhar para esse passado?

ROCHA PAIVA: Então vamos olhar para os dois lados do passado. Se a presidente, se o senhor Franklin Martins e gente que a gente não sabe que participou do planejamento. Da execução, a gente já sabe, mas do planejamento e do apoio não. Quem é que participou dos comitês dos julgamentos que resultaram no justiçamento, assassinato dos próprios companheiros, quem participou? Por que eu não posso saber? Eu só vou ter que saber quem for agente do Estado? Eu não acho isso justo...

General, os senhores tiveram 25 anos de poder. Eles eram seus inimigos. Se vocês não têm a informação, é porque a informação não existe. Ou vocês não foram capazes de apurar.

ROCHA PAIVA: A informação pode ser, a senhora não quer que apure? Então, eu quero que apure o outro lado também. A senhora está sendo maniqueísta, a senhora está sendo facciosa já que vai haver a comissão da verdade, veja bem - eu sou contra a existência - mas agora que vai haver que investigue os dois lados. Quem eram os terroristas mataram no Araguaia?

E quem matou as pessoas, os guerrilheiros que estavam no Araguaia?

ROCHA PAIVA: Vamos botar na comissão da verdade todos. Os dois lados. A senhora está insistindo que se faça um lado. Estou dizendo: vamos os dois. A senhora está sendo facciosa, eu não. Eu estou dizendo que eu quero os dois lados. A senhora está dizendo que é um só.

Os militares assumiram o poder e usaram o Estado contra as pessoas. Ninguém jamais foi preso, ninguém jamais foi condenado, o Exército nunca reconheceu quem torturou. O senhor não acha que quando se faz isso não pode ficar claro o conluio do Exército com torturadores?

ROCHA PAIVA: Quem é que vai afirmar quem torturou? Outra coisa: a senhora falou que o Exército atuava contra as pessoas. Não. O Estado, e não era só o Exército, o Estado, seus órgãos policiais atuaram, não  foi contra pessoas, tanto que a população apoiou quem? O governo. A população não apoiou a luta armada. Eles viviam homiziados, escondidos, porque, se aparecessem na rua, às vezes, eram denunciados. Tinham que estar todos camuflados, escondidos. Por que? Porque a população apoiou, apoiou fortemente o Estado contra a luta armada. A senhora fala em ditadura, tortura, me diga uma democracia, um organismo internacional que tenha reconhecido qualquer grupo da luta armada como estando defendendo a liberdade, ou representando parte do povo brasileiro. Não tem. Eu fui observador militar da ONU em El Salvador e a FMLN foi reconhecida; os representantes dos vietcongs, nas conversações em Paris, existiam. E era uma luta armada. Agora, no Brasil, não houve nenhum grupo. A senhora fala em ditadura, eu falo em regime autoritário. Regime autoritário, Hannah Arendt diferenciou bem de regime totalitário. Regime autoritário limita a liberdade individual, limita a liberdade de expressão, limita a liberdade política. Mas no Brasil nós tínhamos Grupo Opinião de Teatro, tínhamos peças teatrais que condenavam a ditadura, tínhamos músicas de protesto, tínhamos festivais da canção, tínhamos o Pasquim, tinhamos o Febeapá.

No Pasquim todo mundo foi preso!

ROCHA PAIVA: É o que digo, limitada a liberdade. Não deixaram de existir. O Pasquim deixou de existir depois do regime militar. Então, eles existiam. As livrarias vendiam livros de Marx, Engels, Lênin, Trotsky. Que ditadura totalitária é essa? Existia uma oposição que disputava eleição, ganhava e perdia eleição, que tinha espaço nos jornais. Eu via Ulysses Guimarães sempre falando e criticando. Que ditadura totalitária é essa?

Então, o senhor concorda com os 25 anos de regime militar...

ROCHA PAIVA: Eu concordo com os 25 anos, sem dúvida! Podia ser talvez menos um pouco.

O senhor começou a sua carreira exatamente no ano em que aumentou a repressão.

ROCHA PAIVA: Aumentou a luta armada! Aumentou a luta armada. A repressão é consequência da luta armada.

Com o AI-5, o regime se aprofundou e aumentou, portanto, os casos de desaparecidos e os casos de mortos, o caso Rubens Paiva, por exemplo, acontece em 71. O senhor fez a carreira nessa época, nunca ouviu sequer falar que havia tortura dentro dos...

ROCHA PAIVA: Miriam, sempre se falou. Agora, me diz uma coisa: quando é que não houve tortura no Brasil? Houve tortura em Getúlio? Houve. Houve tortura no tempo da democracia? Houve. Houve tortura no regime militar? Houve. Está havendo tortura agora? Está. O Brasil é condenado na ONU, ou é acusado na ONU, por violação de direitos humanos por agentes do Estado, do Estado democrático de direito. A senhora quer fazer um cálculo comigo? A senhora pega o livro "Brasil, nunca mais". Arquidiocese de São Paulo. Insuspeita. Arquidiocese de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns. Fizeram pesquisas nos arquivos do STM. Levantaram, antes de 1995, portanto antes da lei de indenização Bolsa-ditadura. Levantaram 1.918 torturados. Se a senhora dividir isso por dez anos, e eu só estou considerando o tempo da luta armada, porque se for 20 anos é muito menos. Dez anos de luta armada, doze meses no ano e trinta dias, a senhora vai ter menos de um torturado por dia. Aí, a senhora vai para depois de 1995, o livro do Chievenatto, em 2004, aí já tinha saído a Bolsa-ditadura. Portanto, todo mundo que entrou em Doi-Codi, tá certo?, Até pra prestar um depoimento, por ser testemunha está dizendo que foi torturado. Aí esse número de 1918, depois que sai o Bolsa-ditadura, sobe pra 20 mil torturados. Se a senhora fizer essa mesma conta que eu fiz, a senhora vai chegar a seis torturados por dia. Então uma média de meio torturado por dia, se é que se pode se dizer assim, e seis. A senhora vai ter em torno de quatro torturados por dia por conta da luta armada. Miriam, se nós formos, agora, em qualquer presídio nesse Brasil inteiro, vamos encontrar muito mais gente sendo torturada agora. Por que ninguém se sensibiliza com isso? Sabe por quê? Por que quem está sendo preso agora, está sendo torturado não defende ideia marxista-leninista, não é da classe média, não é filho de deputado, não é artista. A esquerda radical, revanchista, hipócrita e incoerente se solidariza com esse pessoal do outro tempo. E olham que eram quatro por dia, no máximo, tá certo? Eu não estou tirando a hediondez do crime! Eu estou mostrando que isso está acontecendo agora, e ninguém se incomoda. Esses que estão sendo agora torturados, não vão ser indenizados, como foram aqueles que foram presos no tempo do regime militar. Então, isso é injustiça.

O senhor não acha que é mais inteligente da parte das Forças Armadas admitirem que houve o erro? Até para preservar o nome da instituição, dizer que a instituição, como um todo não concordava com os desvios que aconteceram no Doi-Codi, na Polícia do Exército, em todos esses aparelhos de tortura instalados dentro das organizações ?

ROCHA PAIVA: Eu não vejo por  que pedir perdão, se não houve nenhuma cisão social remanescente do regime militar. Quando saiu o regime militar, que começaram a fazer pesquisas, as Forças Armadas já estavam no topo das instituições de maior credibilidade do país, acima até da imprensa. Então, por que essa instituição precisa pedir perdão?

Porque é crime general, porque é crime.

ROCHA PAIVA: Não, não. Foi anistiado, foi anistiado, eu insisto nisso. Foi anistiado, então parou aí. Vamos investigar o que aconteceu? Vamos. Mas está anistiado. Não tem que pedir perdão coisa nenhuma. É interessante a hipocrisia da nossa sociedade. Bate palma e aplaude o "Tropa de Elite". Eu acho hipócrita. Eu faço a pergunta assim, de chofre: se um filho seu ou um neto seu for sequestrado, e a policia botar a mão no sequestrador que sabe onde está o esconderijo dele e aí? ... A senhora demorou a responder.

Estou esperando até onde o senhor vai ...

ROCHA PAIVA: A senhora demorou a responder. Então o que eu digo é hipocrisia.

Não estou aqui para responder. Estou para fazer perguntas. Eu pergunto, o senhor responde.

ROCHA PAIVA: Não é um programa de debate?

Não. Eu não estou debatendo com o senhor. Estou apresentando questões que são colocadas por pessoas que discordam do senhor...

ROCHA PAIVA: Eu estou respondendo. Eu estou, num programa de entrevistas, fazendo uma pergunta. Não pode? Não pode?

Estou querendo saber sobre o Exército. Se não é melhor ele admitir que houve desvio, houve tortura. E, portanto, ele não torturará mais...

ROCHA PAIVA: Ô, Miriam...Vai na livraria, você, lógico que já leu...Dezenas de livros que contam sobre tortura. Precisa admitir? Precisa admitir? Tá lá escrito. Quem quiser, que acredite. Quem não quiser, não acredite. Certo? Então. Tá escrito. Não precisa admitir. A sociedade cobraria das Forças Armadas, se ela não tivesse colocada as Forças Armadas no topo das instituições de credibilidade. Então, se houve violações naquele momento, a sociedade já perdoou. Se não ela não estaria lá no topo das instituições de credibilidade, acima até da imprensa...

Eu acho que agora é um outro Exército...

ROCHA PAIVA: Não. É o mesmo.

É o mesmo Exército que torturou?

ROCHA PAIVA: A senhora que está falando em tortura. Eu estou dizendo o seguinte: Quem evoluiu, foi o país. E o Exército evoluiu junto do país. Todos os presidentes militares falavam de redemocratização e admitiram que era um Estado de exceção. Eu listo para a senhora 16 crises político-militares envolvendo militar, partido político, o Exército dividido. De 22 a 64, existem 16 crises militares. Aí vem 1964, revolução de 31 de março. Luta armada. Dez anos depois, redemocratização  e abertura. Me diga uma crise político-militar que teve no país depois disso. Por que? Porque a Revolução se encarregou de separar o militar da política, por isso automaticamente reforçou as instituições do país, os poderes nacionais e nunca mais houve uma crise político-militar no país. Então, um dos grandes feitos do regime militar foi afastar as Forças Armadas da política e isso é uma das causas da nossa democracia estar estável hoje.

Eu queria que o senhor fizesse uma reflexão sobre o fato de que, nos outros países, houve punição, prisão de torturador e até responsabilidade de comandantes, como, por exemplo, o general Videla, que foi presidente da Argentina, ou Pinochet, que foi presidente do Chile. Eu queria que o senhor falasse sobre isso. Por que eles usaram esse caminho e nós, não?

ROCHA PAIVA: Primeiramente, nos três países, tanto Argentina, Uruguai e Chile, eles cometeram uma falha. A anistia lá não foi ampla, geral e irrestrita. A anistia lá foi para os agentes do Estado. Então, com isso, a anistia se esvaziou. Só que no Uruguai fizeram um referendo e o povo uruguaio foi a favor da manutenção da anistia. Na Argentina e no Chile, a luta armada foi muito mais violenta que no país, do que no Brasil. Então, são condições diferentes, são países diferentes. São países com a veia espanhola muito radical e muito açodada e são condições diferentes do país. Cada país escolhe o seu caminho.

O que o senhor acha da Operação Condor que unia os países do Cone Sul, inclusive o Brasil, em troca de prisioneiros, em troca de informação, em troca de técnicas de tortura? E também o que acha da operação Oban, que uniu líderes empresariais com as Forças Armadas?

ROCHA PAIVA: A senhora está falando em convênio de países para enfrentar problemas comuns? Tinha um convênio entre os países da cortina de ferro para enfrentar problemas comuns. Os Estados Unidos têm a Otan. Hoje, os Estados Unidos têm convênios com vários países para a questão do terrorismo. Os grupos de esquerda armados, revolucionários, tinham ligações internacionais também; então, é mais que natural, essas ligações internacionais para troca de informações, certo? Para trocar informações operacionais e também da parte doutrinária.

O senhor acha que a Operação Condor foi apenas um acordo entre os países? O senhor acha normal?

ROCHA PAIVA: Ah, sim, isso existe hoje, isso existe hoje. Nós temos reuniões bilaterais de inteligência, de doutrina. E não é só reunião bilateral no campo militar, não. Tem relação bilateral no campo da indústria, do comércio, certo? Isso é normal entre os países. E eles enfrentaram problemas comuns. Os grupos armados de esquerda no Brasil, eles também tinham ligações internacionais, só que isso aí ninguém fala.

E a Oban?

ROCHA PAIVA: A Oban eu não tenho conhecimento. Eu sei que...Eu não sei nem em que ano começou. Sinceramente,se eu soubesse eu diria.

O Vladimir Herzog era diretor de uma emissora, não era guerrilheiro. Ele foi se apresentar para depor e morreu.

ROCHA PAIVA: E quem disse que ele foi morto pelos agentes do Estado? Isso há controvérsias. Há uma controvérsia quando a isso aí. Quem disse que ele foi morto pelos agentes do Estado? Ninguém pode afirmar. 

ROCHA PAIVA: Se não foram os militares que mataram Vladimir Herzog, por que os militares que estavam lá naquele momento não aparecem na comissão da Verdade?

ROCHA PAIVA: Existe um inquérito e está escrito no inquérito. Chame os oficiais que estão ali. Se é que tinha algum oficial, se não era gente da Policia Federal, da Policia Militar ou da Policia Civil. Chame a pessoa e consulte. Agora, chame também quem pode ter mandado matar ou quem pode ter dado a ordem para assassinar o capitão Chandler, assassinado na frente do seu filho. Chegaram na cabeça dele e deram mais de vinte tiros na cabeça dele. Isso na frente do filho dele. Quem fez, a gente sabe. Mas quem planejou e apoiou. A gente não sabe, precisa saber. Foi a ALN. Quem era da ALN? O nosso senador Aloysio. O senador que foi relator da Comissão da Verdade, do projeto de lei. Aloysio Nunes Ferreira. Ele era da ALN. Será que ele não tem alguma coisa? Vamos chamar o senador na Comissão da Verdade? Sim. Por que não? Vamos chamar a presidente Dilma? Ela era da VAR-Palmares. E a VAR-Palmares foi a que lançou o carro-bomba que matou o soldado Mario Kozel Filho. Ela era da parte de apoio. Será que ela participou do apoio a essa operação? A comissão da Verdade não vai chamá-la, por quê? Entende? Minha posição é essa.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

POR AQUI NÃO PASSARÃO!


da Folha online

Em nota divulgada ontem, 98 militares da reserva reafirmaram recentes ataques feitos por clubes militares à presidente Dilma Rousseff e disseram não reconhecer autoridade no ministro da Defesa, Celso Amorim, para proibi-los de expressar opiniões.

A nota, intitulada "Eles que Venham. Por Aqui Não Passarão", também ataca a Comissão da Verdade, que apontará, sem poder de punir, responsáveis por mortes, torturas e desaparecimentos na ditadura. Aprovada no ano passado, a comissão espera só a indicação dos membros para começar a funcionar.

Clubes militares recuam de crítica a Dilma por opinião de ministras
Dilma é alvo de militares por opinião de ministras

"[A comissão é um] ato inconsequente de revanchismo explícito e de afronta à Lei da Anistia com o beneplácito, inaceitável, do atual governo", diz o texto, endossado por, entre outros, 13 generais.

Apesar de fora da ativa, todos ainda devem, por lei, seguir a hierarquia das Forças, das quais Dilma e Amorim são os chefes máximos.

O novo texto foi divulgado no site "A Verdade Sufocada", mantido pela mulher de Carlos Alberto Brilhante Ustra, coronel reformado do Exército e um dos que assinam o documento.

Ustra, ex-chefe do DOI-Codi (aparelho da repressão do Exército) em São Paulo, é acusado de torturar presos políticos na ditadura, motivo pelo qual é processado na Justiça. Ele nega os crimes.

A atual nota reafirma o teor de outra, do último dia 16, na qual os clubes Militar, Naval e de Aeronáutica fizeram críticas a Dilma, dizendo que ela se afastava de seu papel de estadista ao não "expressar desacordo" sobre declarações recentes de auxiliares e do PT contra a ditadura.

Após mal-estar e intervenção do Planalto, de Amorim e dos comandantes das Forças, os clubes tiveram de retirar o texto da internet.

CRÍTICA A AMORIM

"Em uníssono, reafirmamos a validade do conteúdo do manifesto do dia 16", afirma a nota de ontem, que lembra que o texto anterior foi tirado da internet "por ordem do ministro da Defesa, a quem não reconhecemos qualquer tipo de autoridade ou legitimidade para fazê-lo".

Agora, os militares dizem que o "Clube Militar [da qual a maioria faz parte] não se intimida e continuará atento e vigilante".

A primeira das três declarações que geraram a nota foi da ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos), para quem a Comissão da Verdade pode levar a punições, apesar da Lei da Anistia.

Depois, Eleonora Menicucci (Mulheres) fez em discurso "críticas exacerbadas aos governos militares", segundo o texto. Já o PT, em uma resolução, disse que deveria priorizar o resgate de seu papel para o fim da ditadura.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

ESTAÇÃO BRASILEIRA EM CHAMAS NA ANTÁRTIDA


Pelo menos um brasileiro morreu no incêndio ocorrido na madrugada deste sábado da Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF). A informação foi confirmada por um oficial. Os detalhes ainda estão sendo apurados pelo Comando da Marinha e pelo Ministério da Defesa. A identidade do brasileiro vítima do acidente ainda não é conhecida.

O acidente ocorreu na Praça de Máquinas, local onde ficam os geradores de energia, por volta das 2h (horário de Brasília), segundo nota da Marinha do Brasil. Um militar ficou ferido. Os integrantes do Grupo-Base (militares da Marinha responsáveis pela manutenção e operação da EACF) trabalham no combate ao incêndio.

Em nota divulgada no início da tarde de hoje, a Marinha se limita a informar que dois militares estão desaparecidos e que não há cientistas entre as vítimas. De acordo com o governo, os 30 cientistas, um alpinista que presta apoio às atividades de pesquisa e um representante do Ministério do Meio Ambiente que estavam na Estação no momento do acidente estão bem e já foram para Punta Arenas (Chile) ou estão em deslocamento para a cidade chilena.

Antes, eles saíram da estação de helicóptero para a Base chilena Eduardo Frei. A Defesa trata o acidente como uma ocorrência gravíssima.

Pela internet, pesquisadores que estavam na estação relatam que o incêndio destruiu tudo na base brasileira e que houve explosão de nitrogênio.

Yocie Yoneshigue Valentin, coordenadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Antártico de Pesquisas Ambientais (INCT-APA), disse que soube, por pesquisadores que estavam no local, que o alarme não tocou no momento do acidente e que todos tiveram que sair às pressas, sem levar bagagem nem documentos.

- Perdemos equipamentos caríssimos, de US$ 120 mil. Acredito que esteja tudo carbonizado.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

O BLOCO DO COTIDIANO


Miriam Leitão, O Globo

Estou contando os dias para o fim de fevereiro. Nada contra o mês mais curto do ano, mesmo com o dia bissexto, mas porque na última semana acabará o horário de verão. Mesmo matinal por natureza, sinto que o momento das cinco horas da manhã tem cara e escuridão de quatro. O organismo não acredita também no momento 11 da noite. Aposta que é dez, resiste, e, quando dou por mim, virei abóbora.

Dizem que toda essa subversão horária é recompensada pela redução do consumo de energia. Não é o que a minha conta de luz garante. Ela sobe sempre. Subiu até quando tirei férias, certo ano, e deixei a casa fechada. Não houve jeito de provar para a Light que aquela conta cobrava um consumo não ocorrido.

Aprendi que no verão, com ou sem horário diferenciado, com ou sem consumo, a conta de luz sobe e o freguês não tem razão.

Pior aconteceu com uma amiga que é síndica de um prédio, a Patrícia. Não tem a ver com o horário de verão, mas é um bom exemplo do que estou contando acima: as contas crescem no verão carioca. A de água do pequeno prédio costumava ser R$ 800. Pulou para R$ 20.000.

Ela fez a conta: dá 10 caminhões-pipa por mês em cada um dos apartamentos. Não sei como os vizinhos da minha amiga não se afogaram com todo esse aguaceiro. Ela afogou-se: em trâmites burocráticos para provar que não usou tanta água.

Que tenha sorte na briga com a Cedae. A empresa que se prepare, ela é tinhosa. O prédio que ela administra, nas horas vagas do trabalho de personal trainer, tinha uma árvore. E ela começou a pender perigosamente, ficando cada vez mais envergada. Pelo tamanho, dava para prenunciar uma tragédia caso ela caísse em algum morador, passante, ou nos fios de luz.

Patrícia ligou para Parques e Jardins, que avisou que ela teria que ir ao órgão, pedir autorização, e seria feita uma averiguação. Demoraria dois meses. Ela avisou que nesse tempo a árvore poderia cair e matar uma pessoa. “Não temos nada a ver com isso”, alegou o funcionário.

Ela ligou para a Defesa Civil, que disse que não mexe em árvore. “E se morrer alguém?”, perguntou. “Aí, vamos ver”, disse o funcionário.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

QUEM SERÁ DELTA?


A Justiça Federal em São Paulo absolveu o banqueiro Daniel Dantas e mais 10 pessoas investigadas pela Operação Chacal, da Polícia Federal.
A Operação Chacal foi deflagrada em julho de 2004 pela Polícia Federal, após a denúncia de que a agência americana privada de investigação Kroll havia sido contratada pela Brasil Telecom - na época gerida pelo Opportunity, de Dantas, para investigar as atividades da Telecom Itália e apurar suposta espionagem comercial que poderiam ter atingido membros do governo Lula.
Ao proferir o voto decisivo, o ministro Jorge Mussi afirmou que a Polícia Federal contou com o apoio de agentes da Abin sem requisição formal para tanto e muito menos autorização judicial. Segundo ele, a Abin poderia participar da operação, mas não de maneira clandestina.

“A Abin funcionou de maneira oculta e na clandestinidade”, disse Mussi.

“Eu não posso admitir que essa prova [obtida com apoio da Abin] seja utilizada contra um cidadão de meu país. Não posso admitir essa prova como lícita.”

Essa operação Chacal e a seguinte, a Satiagraha foram engendradas dentro do governo Lula, para tirar o banqueiro Daniel Dantas do caminho do controle da Brasil Telecom e colocando os fundos de pensão, Previ e Funcef, associados com a Telecom Itália, no controle absoluto da tele.
Os fundos, Previ e Funcef, têm as administrações aparelhadas pelo PT e são uma porta aberta para financiar campanhas eleitorais dos petistas e aliados.

O famoso delegado Protógenes Queiroz e o teatral juiz Fausto de Sanctis, juntamente com o repórter César Tralli e os recursos técnicos da tv Globo, tiveram participação decisiva na condenação de Dantas. Fizeram a armação da cena de um suposto suborno de Dantas a um agente da Polícia Federal.

Não interessa aqui fazer uma defesa de Daniel Dantas, mesmo porque ele está se mostrando bastante eficiente nisso. Mas o importante é mostrar até onde Lula é capaz de mentir e forjar a condenação de um cidadão, para defender seus interesses e de seus amigos.

Corre paralelo, um processo na Itália, onde Daniel Dantas é vítima e a Telecom Itália é ré e muita coisa será esclarecida nos próximos anos, inclusive a identidade de brasileiros que receberam comissão na negociata. Principalmente a identidade de um certo "Delta" que recebeu 10% do valor do negócio.

Quem será "Delta"?

O SEM ÉTICA


de Bomlero.blogspot

No dia 25 de janeiro deste ano, praticamente toda a mídia impressa do país publicou a foto em que Lula -- o Nosso Pinóquio Acrobata (NPA) -- aparece abraçado com Reynaldo Gianecchini que, como o NPA, passa por tratamento quimioterápico para tratamento de câncer.
Tenho certeza de que muita gente se emocionou com essa foto e deve ter dito: "Puxa, esse Lula é fora de série, não se esqueceu de dar um abraço de solidariedade no Gianecchini! Só ele mesmo!". É compreensível que a primeira reação seja essa, e foi exatamente nisso que Lula -- o Nosso Pinóquio Acrobata -- apostou quando fez esse gesto "cristão". Só que o jornalista Reinaldo Azevedo, da Veja, percebeu um detalhe importantíssimo, que pouca gente ou ninguém percebeu: o responsável por essa imagem é o fotógrafo Ricardo Stuckert, do Instituto Lula. Quem é esse cidadão? Ricardo Stuckert é o fotógrafo oficial de Lula, o NPA, desde sua posse no governo em janeiro de 2003.

Quem é que carrega seu fotógrafo oficial para uma visita que deveria ser de simpatia, camaradagem e solidariedade a um parceiro de luta contra uma doença terrível como o câncer, senão um péssimo caráter como Lula, o NPA?! Lula, o Nosso Pinóquio Acrobata, faz marketing de qualquer coisa, com quem quer que seja, em qualquer situação, se concluir que isso contribui para sua promoção com a "sua" galera. Principalmente quando o coadjuvante de sua autopromoção é uma figura querida do público como o Gianecchini. Como diz Reinaldo Azevedo, Lula (o NPA) faz agora o "câncer fashion".

Ganha um prêmio quem descobrir um exemplo sequer de Lula (o NPA) presente em um fato qualquer trágico ou desagradável durante seus oito anos de governo. Como comenta hoje Ricardo Noblat em sua coluna no O Globo, Lula (o NPA) fazia questão de manter distância de desastres de qualquer porte. Não pôs os pés, por exemplo, em São Paulo quando ali se espatifou no dia 17 de julho de 2007 o Airbus A-320 da TAM, matando seus 187 ocupantes e mais 12 pessoas no solo. Na ocasião, Lula mandou seu ministro da Aeronáutica representá-lo.

Lula, o NPA, produziu e continua gerando os maiores danos à cidadania e à moralidade lato sensu já vistos neste país. Foi conivente, por ação e omissão, com a corrupção em seu governo -- todos os seis ministros demitidos por Dilma Rousseff por corrupção são, sem exceção, egressos de seu governo e de seu ministério. E os atos de corrupção que os derrubaram remontam, em sua esmagadora maioria, às suas gestões nos governos de Lula, o NPA. Toda a camarilha do mensalão é gente de sua intimidade pessoal e política, e é obviamente por ele ferrenhamente defendida. Um dos maiores mistérios jurídicos deste país é a ausência de Lula na trintena de acusados desse mensalão.

Lula, o NPA, descuidou acintosamente da saúde, da educação, e da infraestrutura do país (para ficar só em três exemplos) em seus dois mandatos e hoje, além do país, quem paga o pato é sua cria e tutelada Dilma Rousseff. Quando presidente, dizia maravilhas do sistema de saúde pública de seu governo, chegando a dizer, com sua hipocrisia e sua amoralidade de sempre, que "dava até vontade de ficar doente" -- mas quando foi diagnosticado com câncer, foi se tratar no Hospital Sírio-Libanês, o mais caro do país.

Com seu peculiar conceito de ética e de moralidade de sarjeta, usou de maneira absolutamente distorcida e consciente o fato de ter tido baixo nível de instrução. Achava bonito repetir à exaustão que tinha tido pouca instrução e que não gosta de ler, e fazia piadinhas ridículas quando falava uma ou outra expressão mais "finesse". Seu sonho parece ser o de um PT e de um país repletos de semialfabetizados, de preferência com alguns fortes traços de ignorância como ele. Não é à toa que Reinaldo Azevedo o chama, muito acertadamente, de "o Apedeuta".

Lula, o NPA, não restringiu ao país seus exemplos e ensinamentos de zero de ética e de moralidade política. Fez questão de paparicar publicamente, com frases e fotos ridículas, ditadores ou dirigentes de péssimo padrão ético como o venezuelano Hugo Chávez, o iraniano Mahmoud Ahmadinejad, o líbio Muhamar Kadhafi, e os irmãos Castro (Raul e Fidel) cubanos. Desdenhou da greve de fome de um dissidente político cubano quando esteve oficialmente em Havana, e expulsou de volta para Cuba dois boxeadores cubanos que pediram asilo ao Brasil no fim dos Jogos Panamericanos.

Não alcançam os dedos de uma das mãos as entrevistas que deu à nossa imprensa -- essas "miudezas" democráticas o aborrecem profundamente, porque não gosta de correr o risco de não ser reverenciado ou paparicado pelos jornalistas, e ter de esconder a textura de queijo suiço de seus governos.

Na fase da campanha presidencial circulou na Internet um vídeo em que José Dirceu (o eterno guru de Lula, o NPA, e do petismo), sem saber que estava sendo filmado, dizia algumas pérolas do catecismo político de baixíssimo nível do PT por ele criadas e/ou defendidas. Em certo momento, ao perceber que estava sendo enquadrado pela câmera, Lula (o NPA), no fundo da sala, começa a se esgueirar pela parede para sair da sala e da filmagem. Lula não tem feito outra coisa na vida que não seja esgueirar-se da ética, da decência, da moralidade, do bom exemplo.

Quem quiser conhecer um pouco mais a personalidade untuosa de Lula, o Nosso Pinóquio Acrobata, deve ler "O Lulismo no Poder", de Merval Pereira, e "Deu no New York Times", de Larry Rohter.

É profundamente lamentável que um dos maiores, senão o maior, fenômenos políticos da história do país tenha uma conduta tão corrosiva, tão maquiavélica, tão abjeta, tão rasteira, tão pervertida e tão repugnante! O retrato dele com Gianecchini é a expressão definitiva, requintada e sorridente de seu péssimo caráter.

AGORA É CONTIGO, GRACIOSA!


A maior estatal do Brasil e uma das duas maiores empresas do país troca de Presidente, saindo do cargo o professor José Sérgio Gabrielli. Assume o cargo Maria das Graças Foster.
"Agora é contigo, Graciosa", exclamou Dilma quando lhe passou o cargo.

Conheça um pouco mais sobre ela abaixo:

MARIA DAS GRAÇAS FOSTER = funcionária de carreira da Petrobrás e bastante próxima de Dilma, trabalharam juntas quando Dilma era secretária de Energia do Rio Grande do Sul. As duas cuidaram do Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol) – negócio que envolveu BP e Shell.

Casada com Colin Vaughan Foster.

E quem seria Colin Vaughan Foster?

Colin Vaughan Foster, marido de Graça Foster, leva a vida numa boa dentro da Petrobras. Só nos últimos três anos, a C. Foster, empresa de propriedade de Colin Vaughan Foster,assinou 42 contratos, sendo 20 sem licitação, para fornecer componentes eletrônicos para áreas de tecnologia, exploração e produção a diferentes unidades do rentável nicho governamental.

Conhecida até agora nos corredores das Minas e Energias como Maria Caveirão, ela tem tudo para fazer daquela enorme Casa d'Irene uma grande Casa Bem-Assombrada.

De tudo isso, o que se pode concluir, sem necessidade de qualquer dossiê, é que esse Clã Mãe Dilma é muito maior e bem mais abonado do que a vã filosofia pode imaginar.

COLIN VAUGHAN FOSTER= marido da MARIA DAS GRAÇAS FOSTER, dono da C Foster Serviços e Equipamentos, empresário que já recebeu 614 milhões de Reais em 43 contratos com a Petrobrás.

E agora com a empresa na mão da esposa, vai receber quanto quiser.

Interessante, não? Conflitos de interesse, o que é isso mesmo?

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

MENTIRA, MENTIRA, MENTIRA...


de Ricardo Noblat

“Mentiram-me. Mentiram-me ontem e hoje mentem novamente. Mentem de corpo e alma, completamente. E mentem de maneira tão pungente que acho que mentem sinceramente. Mentem, sobretudo, impunemente. Não mentem tristes. Alegremente mentem. Mentem tão nacionalmente que acham que mentindo história afora vão enganar a morte eternamente”.

Pois sim...

Apelo para o poema “A implosão da mentira”, de Affonso Romano de Sant'Anna, sempre que esbarro em algum caso exemplar de mentira. Porque um desses exige uma resposta exemplar. E não conheço outra melhor do que o poema de Affonso, mineiro de nascimento, autor de mais de 40 livros. Um deles: “Que país é este?”

Na última sexta-feira, um auxiliar de Dilma encastelado no Palácio do Planalto indignou-se ao ler no jornal O Estado de S. Paulo reportagem de Tânia Monteiro sob o título “Planalto aborta visita de Dilma a obra da Transnordestina ao constatar abandono”. Perguntou agressivo em seguida: “Isso aqui é delírio de quem? Do jornal ou da repórter?”

Eis a abertura da reportagem de Tânia: “Grades de proteção para afastar a multidão, toldos e um palanque foram desmontados às pressas na manhã de quarta-feira, 8, depois que a presidente Dilma Rousseff cancelou a viagem a Missão Velha, no sertão do Cariri (...) porque o palco da festa fora montado num trecho de obra paralisada da ferrovia Transnordestina.”

A 24 horas da visita de Dilma, apenas quatro empregados trabalhavam na ponte 01 de Missão Velha, Ceará.

Restavam 190 dos 813 ocupados nos três trechos da estrada no início de dezembro. E apenas 299 nas obras da transposição do rio São Francisco na altura da cidade de Mauriti. Antes eram 1.525.

O auxiliar de Dilma deve ter imaginado que Tânia escrevera sua reportagem sem sair de Brasília.

De fato, ela visitou a região com antecedência. Conferiu o que viu e ouviu.

Teve mais sorte do que eu. Estava no Rio na quarta-feira passada quando soube da encrenca em que se metera na Bahia o general Gonçalves Dias.

Comandante da 6a.Região Militar, cabia-lhe a tarefa de enfrentar os policiais militares grevistas que haviam tomado o prédio da Assembleia Legislativa do Estado. Não lhe faltava experiência para tanto – pelo contrário.

Faltou-lhe bom senso. Esqueceu que general não precisa ser simpático. Basta que seja eficiente.

No primeiro dia que passeou sua calvície em frente ao refúgio dos amotinados, o general ganhou um bolo de presente porque aniversariava.

Ouviu parte dos grevistas cantar parabéns para você.

Foi fotografado abraçado com um PM. Emocionou-se. E por fim, chorou.

O general romântico! O general do povo!

Com Dilma presidente, PM bandalho não ganha mais anistia, nem general chora abraçado com fora da lei.

Apurei então por telefone que o general perdera o comando da repressão aos grevistas. Fora conivente demais com eles.

Publiquei a notícia no meu blog. Para quê? Para nas quatro horas seguintes quase ser soterrado por solenes desmentidos.

O ministro da Justiça desmentiu.

O governador da Bahia desmentiu.

O porta-voz do general desmentiu.

E o próprio general desmentiu. Transferiu-me sua angústia que só terminou quando li mais tarde reportagem de Tânia Monteiro no site do jornal O Estado de São Paulo. Tânia cobre a área militar há 27 anos. Entende mais do riscado do que muito cabra fardado. Generala Tânia!

O comando da repressão aos grevistas fora transferido para o general Benzo, Comandante Militar do Nordeste, informou Tânia.

O governador da Bahia telefonara para Dilma e o ministro da Justiça censurando o comportamento de Gonçalves Dias - e com razão.

Dilma estava furiosa com o general. Que por sua vez admitira para o governador ter se excedido.

Ao contrário de outros países, ninguém aqui é obrigado a falar com jornalistas ou a ajudá-los.

Desrespeita o distinto público, porém, e deveria ser punida com rigor a autoridade que informa errado e que mente a jornalistas. Ao cabo, engana o povo.

“Sei que a verdade é difícil e para alguns é cara e escura. Mas não se chega à verdade pela mentira, nem à democracia pela ditadura”.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

PUTEIRO NO PLANALTO


da revista VEJA

Advogada liga Toffoli e Gilberto Carvalho a máfia do DF

Em oito horas de gravações em áudio e vídeo, Christiane Araújo de Oliveira revela que mantinha relações íntimas com políticos e figuras-chave da República e que o governo federal usou de sua proximidade com a quadrilha de Durval Barbosa para conseguir material contra adversários políticos

Nascida em Maceió, em uma família humilde, Christiane Araújo de Oliveira mudou-se para Brasília há pouco mais de dez anos com o objetivo de se formar em Direito. Em 2007, aceitou o convite para trabalhar no governo do Distrito Federal de um certo Durval Barbosa, delegado aposentado e corrupto contumaz que ficaria famoso, pouco depois, ao dar publicidade às cenas degradantes de recebimento de propina que levaram à cadeia o governador José Roberto Arruda e arrasaram com seu círculo de apoiadores. Sob as ordens de Durval, Christiane se transformou num instrumento de traficâncias políticas. No ano passado, depois de VEJA mostrar a relação promíscua entre o petismo e o delegado, Christiane foi orientada a sumir da capital federal. Relatos detalhados de suas aventuras com poderosos, no entanto, já estavam em poder do Ministério Público e da Polícia Federal. Na edição que chega às bancas neste sábado, VEJA revela o teor de dois depoimentos feitos pela jovem advogada no final de 2010.

Durval Barbosa
Em oito horas de gravações em áudio e vídeo, Christiane revelou que mantinha relações íntimas com políticos e figuras-chave da República. Ela participava de festas de embalo, viajava em aviões oficiais, aproveitava-se dos amigos e amantes influentes para obter favores em benefício da quadrilha chefiada por Durval, que desviou mais de 1 bilhão de reais dos cofres públicos. Ela também contou como o governo federal usou de sua proximidade com essa máfia para conseguir material que incriminaria adversários políticos.

A advogada relatou que manteve um relacionamento com o hoje ministro do Supremo Tribunal Federal José Antonio Dias Toffoli, quando ele ocupava cargo de advogado-geral da União no governo Lula. Os encontros, segundo ela, ocorriam em um apartamento onde Durval armazenava caixas de dinheiro usado para comprar políticos – e onde ele eventualmente registrava imagens dessas (e de outras) transações.

Christiane afirma que em um dos encontros entregou a Toffoli gravações do acervo de Durval Barbosa. A amostra, que Durval queria fazer chegar ao governo do PT, era uma forma de demonstrar sua capacidade de deflagrar um escândalo capaz de varrer a oposição em Brasília nas eleições de 2010. Ela também teria voado a bordo de um jato oficial do governo, por cortesia do atual ministro do STF, que na época era chefe da Advocacia Geral da União (AGU).

Por escrito, Dias Toffoli negou todas as acusações. “Nunca recebi da Dra. Christiane Araújo fitas gravadas relativas ao escândalo ocorrido no governo do Distrito Federal.” O ministro disse ainda que nunca frequentou o apartamento citado por ela ou solicitou avião oficial para servi-la. Como chefe da AGU, só a teria recebido uma única vez em seu gabinete, em audiência formal.

Gilberto Carvalho, chefe de gabinete da Presidência
Nas gravações, Christiane relatou ainda que tem uma amizade íntima com Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência da República. No governo passado, quando Carvalho ocupava o cargo de chefe de gabinete de Lula, ela pediu a interferência do ministro para nomear o procurador Leonardo Bandarra como chefe do Ministério Público do Distrito Federal. O pedido foi atendido. Bandarra, descobriu-se depois, era também um ativo membro da máfia brasiliense – e hoje responde a cinco ações na Justiça, depois de ter sido exonerado.

Gilberto Carvalho também teria tentado obter do grupo de Durval material para alvejar os adversários políticos do PT. Ele nega todas as acusações, e disse a VEJA: “Eu não estava nesse circuito do submundo. Estou impressionado com a criatividade dessa moça.”

Há uma terceira ligação de Christiane com o petismo. Ela trabalhou no comitê central da campanha de Dilma Rousseff. Foi encarregada da relação com as igrejas evangélicas – porque é, ela mesma, evangélica e filha de Elói Freire de Oliveira, fundador da igreja Tabernáculo do Deus Vivo e figura que circula com desenvoltura entre os políticos de Brasília, sendo chamado de “profeta”. Com Dilma eleita, a advogada foi nomeada para integrar a equipe de transição. Mas foi exonerada quando veio à tona que ela teve participação na Máfia das Sanguessugas.

Segundo o procurador que tomou um dos depoimentos de Christiane, o material que ele coletou foi enviado à Polícia Federal para ser anexado aos autos da Operação Caixa de Pandora. Um segundo depoimento foi tomado pela própria PF. Mas nenhuma das revelações da advogada faz parte oficial dos autos da investigação. A reportagem de VEJA, que reproduz imagens das gravações em vídeo, conclui com uma indagação: “Por que será?”
http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/advogada-infiltrada-pela-mafia-no-governo-faz-revelacoes-explosivas

sábado, 4 de fevereiro de 2012

FICHADOS


de Augusto Nunes

Por vontade de Dilma Rousseff, viraram ministros Antonio Palocci, Alfredo Nascimento, Wagner Rossi, Pedro Novais, Orlando Silva, Carlos Lupi e Mário Negromonte. Todos perderam o emprego contra a vontade da chefe de governo, que ignorou enquanto pôde o assombro dos brasileiros inconformados com a impunidade dos fabricantes de maracutaias.

Em 13 meses, a presidente foi forçada a devolver à planície sete casos de polícia. Teriam sido nove se Fernando Pimentel não fosse tratado por Dilma como um pirralho peralta e Fernando Bezerra não estivesse sob as asas protetoras de Eduardo Campos.

Se presidisse uma empresa privada, a superexecutiva de araque não teria sobrevivido ao segundo despejo registrado na diretoria que nomeou porque quis. Debilitado pelo precedente, seria expulsa aos berros pelo conselho administrativo, apupada por acionistas coléricos, desqualificada para pilotar até carrinhos de pipoca e condenada ao desemprego perpétuo.

Como é presidente do Brasil, a única faxineira do mundo que não consegue viver longe do lixo capricha na pose de defensora da moral e dos bons costumes. E os jornalistas federais fingem enxergar uma supergerente na superlativa mediocridade que coleciona escolhas desastrosas.

A mais recente promoveu a ministro das Cidades o deputado Aguinaldo Ribeiro, do PP da Paraíba. O sucessor de Negromonte nem precisou assumir para desfraldar a folha corrida e empoleirar-se num andor da procissão dos pecadores. Vai sentir-se em casa no convívio com os vigaristas, farsantes e perfeitas cavalgaduras que se acotovelam no pior primeiro escalão de todos os tempos. E proporcionar a Dilma mais um bom motivo para repetir a festa de confraternização ocorrida no último dia do governo Lula. Como em 2010, todos os ministros e ex-ministros estarão, em 2014, sorrindo juntos para a posteridade.

A turma de Lula só posou para a foto de frente. Faltou a data no peito de muitos. O bando de Dilma não pode esquecer os algarismos. E merece ser fotografado também de perfil.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

A TIMONEIRA INÁBIL


de Artur Virgílio

Quase não acreditei quando li que a Presidente Dilma Rousseff, durante sua visita à cinquentenária ditadura cubana, havia proferido críticas aos EUA, no tocante a políticas de direitos humanos. Quase não acreditei!

Supunha que ela não receberia mesmo a blogueira Yoani Sánchez que, como seus patrícios em geral, é refém da crueldade de um regime que tortura, coage, persegue e mata seus supostos adversários.

Imaginava que ela se recusaria a receber lideranças dissidentes, perdendo a ocasião, inclusive, de conhecer figuras que poderão vir a governar a Ilha, quando o castrismo finar.

Só não concebia que fosse capaz de fazer comparação tão infantil e inábil, entre uma democracia, a dos Estados Unidos, com suas qualidades e defeitos, e o mais longevo regime de força do mundo.

Considero Guantánamo um erro, sim. O Brasil tem o direito e o dever de criticar o governo norte-americano por isso. Assim como não deve temer questionar brutalidades da ditadura chinesa. Não precisa romper relações diplomáticas com ninguém; tem, isto sim, de afirmar, em qualquer circunstância, seu compromisso com as liberdades públicas e individuais e com o respeito à integridade física e psicológica de opositores de qualquer regime ou qualquer governo.

Dilma foi extremamente infeliz ao comparar Cuba com os Estados Unidos e Cuba com o próprio Brasil, a partir da realmente degradante situação de tantos presídios brasileiros.

Cuba tem como política de governo castrar a livre manifestação de seus filhos. Não é assim nos EUA.

E o Brasil não tem presos políticos; resolver o drama da superlotação dos presídios é dever dos governos federal e estaduais. Melhor seria ela própria começar a agir administrativamente, ao invés de rebaixar seu próprio país ao cotejo com uma torpe ditadura, apenas com o fito de ser agradável aos ditadores.

Não entendo tanta reverência a Fidel e Raul Castro, que têm nas costas e na consciência, milhares e milhares de mortes. Parece mesmo que um é o Mickey e o outro é o Pato Donald, num contexto em que Cuba seria a Disneylândia de uma certa esquerda brasileira bem atrasada.

Antes tivesse ficado no Brasil. A primeira mulher eleita, democraticamente, para nos governar, recusou-se a receber Yoani Sánchez, mulher como ela, que insiste em cometer o “crime” de não se curvar aos horrores do castrismo.

Que bola fora!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

CACOETE PETISTA


O Globo

Na primeira visita a Cuba, a presidente Dilma Rousseff foi traída pelo passado. Não se esperava que abordasse o tema dos direitos humanos em público. Mas decidiu fazê-lo, numa cerimônia no Memorial José Martí, e cometeu o grave erro de tentar relativizar os fartos e conhecidos crimes cubanos nesta área, incluindo numa infeliz pensata os delitos cometidos pelos americanos na base de Guantánamo, na ilha, uma nódoa, de fato, na História dos Estados Unidos.

Mas misturou coisas diferentes, na visível tentativa de, como é praxe em parte da esquerda brasileira, passar a mão na cabeça dos irmãos Castro. Dilma pontificou que não se deve usar direitos humanos como arma política. De fato, mas, dito isto, incorreu neste mesmo erro.

Ali, logo no início da viagem oficial, transformou-se em decepção a esperança que dissidentes tinham de que Dilma não repetiria a desastrada passagem de Lula pela ilha, no mesmo dia da morte de Orlando Zapata, um dos presos políticos de Fidel e Raúl em greve de fome. De volta ao Brasil, comparou-os a prisioneiros comuns.

O fato de o Brasil ter concedido visto à dissidente Yoani Sánchez, para ela vir ao país ao lançamento de um filme sobre a resistência em Cuba, alimentou as expectativas otimistas. Não que Dilma fosse discursar a favor dos cubanos perseguidos. Mas o silêncio em público poderia até levar a supor que o tema seria tratado em contatos privados.

— Ela agiu como Lula e não se interessou pelo povo cubano — desabafou Berta Soler, porta-voz das Damas de Branco, grupo formado por mulheres e familiares em geral de presos políticos.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

CORRUPÇÃO E INCOMPETENCIA


do Estado de S.Paulo

O tempo está sendo implacável com a imagem que arduamente a presidente Dilma Rousseff tenta construir para si - como fez durante a campanha eleitoral de 2010, com a inestimável colaboração de seu patrono político, o ex-presidente Lula -, de administradora capaz, tecnicamente competente e defensora da lisura e da moralidade dos atos públicos. É cada vez mais claro que tudo não passa da construção de uma personagem de feitio exclusivamente eleitoral.

As trocas de ministros no primeiro ano de mandato por suspeitas de irregularidades são a face mais visível dos malefícios de um governo baseado não na competência de seus integrantes - como seria de esperar da equipe de uma gestora eficiente dos recursos públicos -, mas em acordos de conveniência político-partidárias que levaram ao loteamento dos principais postos da administração federal. O resultado não poderia ser diferente do que revelam os fatos que vão chegando ao conhecimento do público.

A amostra mais recente dos prejuízos que essa forma de montar equipes e administrar a coisa pública pode causar ao erário é o contrato assinado em 2010 pelo Ministério do Esporte com a Fundação Instituto de Administração (FIA) para a criação de uma estatal natimorta. O caso, relatado pelos repórteres do Estado Fábio Fabrini e Iuri Dantas (30/1), espanta pelo valor gasto para que rigorosamente nada fosse feito de prático e porque o contrato não tinha nenhuma utilidade.

CONCEITO DE RAÇA É BURRICE


O humorista Danilo Gentili postou a seguinte piada no seu twitter:

"King Kong, um macaco que, depois que vai para a cidade e fica famoso, pega uma loira. Quem ele acha que é? Jogador de futebol?"

A ONG Afrobras se posicionou contra: "Nos próximos dias devemos fazer uma carta de repúdio. Estamos avaliando ainda uma representação criminal", diz José Vicente, presidente da ONG. "Isso foi indevido, inoportuno, de mau gosto e desrespeitoso. Desrespeitou todos os negros brasileiros e também a democracia. Democracia é você agir com responsabilidade" , avalia Vicente.

Alguns minutos após escrever seu primeiro "twitter" sobre King Kong, Gentili tentou se justificar no microblog:

"Alguém pode me dar uma explicação razoável por que posso chamar gay de veado, gordo de baleia, branco de lagartixa, mas nunca um negro de macaco?" (GENIAL) "Na piada do King Kong, não disse a cor do jogador. Disse que a loira saiu com o cara porque é famoso. A cabeça de vocês é que têm preconceito."

Mas, calma! Essa não foi a tal resposta genial que está no título, e sim ESTA:

"Se você me disser que é da raça negra, preciso dizer que você também é racista, pois, assim como os criadores de cachorros, acredita que somos separados por raças. E se acredita nisso vai ter que confessar que uma raça é melhor ou pior que a outra, pois, se todas as raças são iguais, então a divisão por raça é estúpida e desnecessária. Pra que perder tempo separando algo se no fundo dá tudo no mesmo?

Quem propagou a ideia que "negro" é uma raça foram os escravagistas. Eles usaram isso como desculpa para vender os pretos como escravos: "Podemos tratá-los como animais, afinal eles são de uma outra raça que não é a nossa. Eles são da raça negra".

Então quando vejo um cara dizendo que tem orgulho de ser da raça negra, eu juro que nem me passa pela cabeça chamá-lo de macaco, MAS SIM DE BURRO.

Falando em burro, cresci ouvindo que eu sou uma girafa. E também cresci chamando um dos meus melhores amigos de elefante. Já ouvi muita gente chamar loira caucasiana de burra, gay de v***** e ruivo de salsicha, que nada mais é do que ser chamado de restos de porco e boi misturados.

Mas se alguém chama um preto de macaco é crucificado. E isso pra mim não faz sentido. Qual o preconceito com o macaco? Imagina no zoológico como o macaco não deve se sentir triste quando ouve os outros animais comentando:

- O macaco é o pior de todos. Quando um humano se xinga de burro ou elefante dão risada. Mas quando xingam de macaco vão presos. Ser macaco é uma coisa terrível. Graças a Deus não somos macacos.

Prefiro ser chamado de macaco a ser chamado de girafa. Peça a um cientista que faça um teste de Q.I. com uma girafa e com um macaco. Veja quem tira a maior nota.

Quando queremos muito ofender e atacar alguém, por motivos desconhecidos, não xingamos diretamente a pessoa, e sim a mãe dela. Posso afirmar aqui então que Darwin foi o maior racista da história por dizer que eu vim do macaco?

Mas o que quero dizer é que na verdade não sei qual o problema em chamar um preto de preto. Esse é o nome da cor não é? Eu sou um ser humano da cor branca. O japonês da cor amarela. O índio da cor vermelha. O africano da cor preta. Se querem igualdade deveriam assumir o termo "preto" pois esse é o nome da cor. Não fica destoante isso: "Branco, Amarelo, Vermelho, Negro"?. O Darth Vader pra mim é negro. Mas o Bill Cosby, Richard Pryor e Eddie Murphy que inspiram meu trabalho, não. Mas se gostam tanto assim do termo negro, ok, eu uso, não vejo problemas. No fim das contas, é só uma palavra. E embora o dicionário seja um dos livros mais vendidos do mundo, penso que palavras não definem muitas coisas e sim atitudes.

Digo isso porque a patrulha do politicamente correto é tão imbecil e superficial que tenho absoluta certeza que serei censurado se um dia escutarem eu dizer: "E aí seu PRETO, senta aqui e toma uma comigo!". Porém, se eu usar o tom correto e a postura certa ao dizer "Desculpe meu querido, mas já que é um afrodescendente, é melhor evitar sentar aqui. Mas eu arrumo uma outra mesa muito mais bonita pra você!" Sei que receberei elogios dessas mesmas pessoas; afinal eu usei os termos politicamente corretos e não a palavra "preto" ou "macaco", que são palavras tão horríveis.

Os politicamente corretos acham que são como o Superman, o cara dotado de dons superiores, que vai defender os fracos, oprimidos e impotentes. E acredite: isso é racismo, pois transmite a ideia de superioridade que essas pessoas sentem de si em relação aos seus "defendidos"

Agora peço que não sejam racistas comigo, por favor. Não é só porque eu sou branco que eu escravizei um preto. Eu juro que nunca fiz nada parecido com isso, nem mesmo em pensamento. Não tenham esse preconceito comigo. Na verdade, SOU ÍTALO-DESCENDENTE. ITALIANOS NÃO ESCRAVIZARAM AFRICANOS NO BRASIL. VIERAM PRA CÁ E, ASSIM COMO OS PRETOS, TRABALHARAM NA LAVOURA. A DIFERENÇA É QUE ESCRAVA ISAURA FEZ MAIS SUCESSO QUE TERRA NOSTRA.

Ok. O que acabei de dizer foi uma piada de mau gosto porque eu não disse nela como os pretos sofreram mais que os italianos. Ok. Eu sei que os negros sofreram mais que qualquer raça no Brasil. Foram chicoteados. Torturados. Foi algo tão desumano que só um ser humano seria capaz de fazer igual. Brancos caçaram negros como animais. Mas também os compraram de outros negros. Sim. Ser dono de escravo nunca foi privilégio caucasiano, e sim da sociedade dominante. Na África, uma tribo vencedora escravizava a outra e as vendia para os brancos sujos.

Lembra que eu disse que era ítalo-descendente? Então. Os italianos podem nunca ter escravizados os pretos, mas os romanos escravizaram os judeus. E eles já se vingaram de mim com juros e correção monetária, pois já fui escravo durante anos de um carnê das Casas Bahia.

Se é engraçado piada de gay e gordo, por que não é a de preto? Porque foram escravos no passado hoje são café com leite no mundo do humor? É isso? Eu posso fazer a piada com gay só porque seus ancestrais nunca foram escravos? Pense bem, talvez o gay na infância também tenha sofrido abusos de alguém mais velho com o chicote.

Se você acha que vai impor respeito me obrigando a usar o termo "negro" ou "afrodescendente" , tudo bem, eu posso fazer isso só pra agradar. Na minha cabeça, você será apenas preto e eu, branco, da mesma raça - a raça humana. E você nunca me verá por aí com uma camiseta escrita "100% humano", pois não tenho orgulho nenhum de ser dessa raça que discute coisas idiotas de uma forma superficial e discrimina o próprio irmão."

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A DITADURA DOS SONHOS DELA


de Arnaldo Azevedo

Mas por que, afinal de contas, Dilma não faz uma cobrança explícita a Cuba, pedindo respeito aos direitos humanos, como fez Jimmy Carter no Brasil em 1978? Carter era, e é, um bobalhão em política externa (não vou debater isso agora), mas vem de uma tradição democrática. Dilma, ao contrário, vem de um tradição autoritária, antidemocrática.

Sim, vocês já leram essas informações aqui, mas cumpre relembrá-las porque, infelizmente, o momento pede. Dilma queria uma ditadura comunista de modelo soviético no Brasil. Era essa a utopia do Colina (Comando de Libertação Nacional), que depois se fundiu à VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) parar formar a VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária-Palmares). Estamos falando de grupos terroristas que estavam entre os mais virulentos do país, com várias mortes e atentados nas costas. Não viam mal, inclusive, em matar gente sem qualquer ligação com a luta política. Afinal, eles queriam a “libertação nacional”, né?

Que importância tem isso? A importância que tem a verdade:
- não, não queria democracia; queria ditadura comunista;
- não, não lutava “pela liberdade; lutava para implantar o socialismo;
- não, não foi presa por crime de opinião; foi presa porque pertencia a um grupo que praticou uma série de atentados, com várias mortes.

O fato de que se opunha a uma ditadura não quer dizer que fizesse as melhores escolhas. Nem tudo o que não era a ditadura militar prestava. Nem todos os métodos empregados para derrubá-la eram bons. Até porque a opção de muitas correntes da extrema esquerda pela luta armada antecede o golpe militar de 1964 e, evidentemente, o recrudescimento do regime, em 1968. Inventou-se a falácia, desmentida pelos fatos, de que não teria havido guerrilha e terrorismo sem a decretação do AI-5. Falso! Falsidade que deve virar história oficial na pena da turma da “Comissão da Verdade”, que terá, então, a nobre missão de consolidar a mentira.

Dilma já deixou claro em mais de um discurso, até com a voz embargada, que não se arrepende de seu passado. Isso significa que, naquelas condições, acredita que os grupos terroristas a que pertenceu fizeram a coisa certa. Fizeram? Isso inclui, por exemplo, a morte de pessoas quem nem tinham vínculo com a luta política.

Para gente como Dilma Rousseff e Maria do Rosário, um regime que mata 424 pessoas é composto de bandidos, mas um que mata 100 mil é um celeiro de heróis.

É preciso entender: Cuba é a manifestação presente dos sonhos passados de Dilma. Ela queria no Brasil um regime como aquele — para nós, é claro! Para ela, certamente haveria as mesmas regalias de que gozam os irmãos Castro.