segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

HERANÇA MALDITA SEM ASPAS

de Augusto Nunes

“Nós assumimos um país com a inflação fora de controle”, recitou Dilma Rousseff ao longo da campanha eleitoral, depois de decorar aplicadamente outra lição que Mestre Lula ensinou. Falso. A inflação andou regurgitando no fim de 2002 em consequência da inquietação causada pela histórica irresponsabilidade do PT, mas em nenhum momento os índices assumiram dimensões perturbadoras. O dragão enjaulado pelo Plano Real continuou dormindo profundamente.

“Graças ao governo Lula, vou assumir um país com a economia sem problemas”, deu de declamar Dilma depois de eleita. Falso. Como demonstra a reportagem de capa de VEJA, a taxa anual registrada pela inflação em janeiro avisa que a fera ameaça acordar de um sono de 17 anos. O índice oficial de 6.5% já era preocupante. Vê-se agora que a realidade camuflada pelas contas federais é alarmante.

O quilo da carne, o quilo do feijão, o ingresso nos estádios de futebol, os gastos com transportes — é extensa e incontestável a lista dos itens que decolaram espetacularmente no período de 12 meses. ”O poder aquisitivo dos brasileiros subiu”, fantasia o ministro Guido Mantega. Ainda que dissesse a verdade, aumento de poder aquisitivo não resulta automaticamente em elevação de preços, os americanos estariam pagando 100 dólares por um cachorro-quente.

O país pode descobrir mais cedo do que imaginava que Dilma recebeu de Lula o que Lula fingiu ter recebido de Fernando Henrique Cardoso. A “herança maldita” de FHC só existiu na discurseira oportunista do chefe da seita e seus devotos. Dilma vai saber o que é lidar com uma herança maldita sem aspas. Se não sabia de nada, foi uma gerente-geral inepta. Se sabia de tudo, mentiu. E terá de administrar o legado sozinha.

Não adianta pedir ajuda ao padrinho. Ele mora no Brasil Maravilha que registrou no cartório.

ENTULHO DE LULA


A presidente Dilma Rousseff recebeu uma pesada e antiga herança do governo Lula no Congresso Nacional. Entre as 24 medidas provisórias que tramitam na Câmara e no Senado, 21 foram editadas no governo passado, sendo que dez estão trancando a pauta de votações da Câmara.

Muitas dessas medidas vão na contramão do corte de R$ 50 bilhões anunciado na semana passada , pois implicam na criação de cargos e no aumento dos gastos públicos.

Aliados acreditam que o Congresso votará até maio propostas antigas, a não ser que se use a janela inaugurada agora por Dilma para enviar por projeto a matéria que trata do salário mínimo.

O temor é que a janela, criada na gestão do ex-presidente da Câmara e hoje vice-presidente Michel Temer, uma vez aberta, sirva para os parlamentares colocarem projetos explosivos em votação.

Uma das MPs que poderá gerar polêmica na votação, inclusive entre integrantes da base aliada, é a que cria a Autoridade Pública Olímpica (APO), ratificando o protocolo assinado entre União, o estado do Rio de Janeiro e o município do Rio, que cria o consórcio de ação para garantir a preparação e realização das Olimpíadas de 2016.

A MP cria 484 cargos em comissão. Entres eles, 184 com salários que variam de R$ 18 mil e 22,1 mil. A oposição está pronta para bombardear a criação de mais cargos federais e a falta de fiscalização da estrutura.

Mas a MP também provoca briga na base aliada. O cargo a ser criado é pleiteado pelo PCdoB, mas Dilma pretende nomear o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, justamente para dar maior visibilidade e garantir o cumprimento dos prazos das obras.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

BATALHÃO DAS SELVAS


DRAUZIO VARELLA

Perfilados, os soldados aguardaram em posição de sentido, sob o sol do meio-dia. Eram homens de estatura mediana, pele bronzeada, olhos amendoados, maçãs do rosto salientes e cabelo espetado.O observador desavisado que lhes analisasse os traços julgaria estar na Ásia.
No microfone, a palavra de ordem do capitão: 'Soldado Souza, etnia tucano'.
Um rapaz da primeira fila deu um passo adiante, resoluto, com o fuzil no ombro, e iniciou a oração do guerreiro da selva, no idioma natal. No fim, o grito de guerra dos pelotões da fronteira: "SELVA !!!"

O segundo a repetir o texto foi um soldado da etnia desana, seguido de um baniua, um curipaco, um cubeu, um ianomâmi, um tariano e um hupda.

Todos repetiram o ritual do passo à frente e da oração nas línguas de seus povos; em comum, apenas o grito final: "SELVA !!!"

Depois, o pelotão inteiro cantou o hino nacional em português, a plenos pulmões.


Ouvir aquela diversidade de indígenas, característica das 22 etnias que habitam o extremo noroeste da Amazônia brasileira há 2.000 anos, cantando nosso hino no meio da floresta, trouxe à flor da pele sentimentos de brasilidade que eu julgava esquecidos.

Para chegar à Cabeça do Cachorro é preciso ir a Manaus, viajar 1.146 quilômetros Rio Negro acima, até avistar São Gabriel da Cachoeira, a maior cidade indígena do país.

De lá, até as fronteiras com a Colômbia e a Venezuela, pelos rios Uaupés, Tiquié, Içana, Cauaburi e uma infinidade de rios menores, só Deus sabe.

A duração da viagem depende das chuvas, das corredeiras e da época do ano, porque na bacia do Rio Negro o nível das águas pode subir mais de dez metros entre a vazante e o pico da cheia.

É um Brasil perdido no meio das florestas mais preservadas da Amazônia. Não fosse a presença militar, seria uma região entregue à própria sorte. Ou, pior, à sorte alheia.

O Comando dos Pelotões de Fronteira está sediado em São Gabriel. De lá partem as provisões e o apoio logístico para as unidades construídas à beira dos principais rios fronteiriços: Pari-Cachoeira, Iauaretê, Querari, Tunuí-Cachoeira, São Joaquim, Maturacá e Cucuí.

Anteriormente formado por militares de outros estados, os pelotões hoje recrutam soldados nas comunidades das redondezas. Essa opção foi feita por razões profissionais: 'O soldado do sul pode ser mais preparado intelectualmente, mas na selva ninguém se iguala ao indígena'.

Na entrada dos quartéis, uma placa dá idéia do esforço para construí-los naquele ermo: 'Da primeira tábua ao último prego, todo material empregado nessas instalações foi transportado nas asas da FAB'.

Os pelotões atraíram as populações indígenas de cada rio à beira do qual foram instalados: por causa da escola para as crianças e porque em suas imediações circula o bem mais raro da região: salário.

Para os militares e suas famílias, os indígenas conseguem vender algum artesanato, trocar farinha e frutas por gêneros de primeira necessidade, produtos de higiene e peças de vestuário.

No quartel existe possibilidade de acesso à assistência médica, ao dentista, à internet e aos aviões da FAB, em caso de acidente ou doença grave.

Cada pelotão é chefiado por um tenente com menos de 30 anos, obrigado a exercer o papel de comandante militar, prefeito, juiz de paz, delegado, gestor de assistência médico-odontológica,
administrador do programa de inclusão digital e o que mais for necessário assumir nas comunidades das imediações, esquecidas pelas autoridades federais, estaduais e municipais.

Tais serviços, de responsabilidade de ministérios e secretarias locais, são prestados pelas Forças Armadas sem qualquer dotação orçamentária suplementar.

Os quartéis são de um despojamento espartano. As dificuldades de abastecimento, os atrasos dos vôos causados por adversidades climáticas e avarias técnicas e o orçamento minguado das Forças Armadas tornam o dia-a-dia dos que vivem em pleno isolamento um ato de resistência permanente.


Esses militares anônimos, mal pagos, são os únicos responsáveis pela defesa dos limites de uma região conturbada pela proximidade das Farc e pelas rotas do narcotráfico. Não estivessem lá, quem estaria?
"SELVA !!!"

Lema do soldado da Amazônia:
"Senhor, tu que ordenastes ao guerreiro de Selva, sobrepujai todos os vossos oponentes, dai-nos hoje da floresta, a sobriedade para resistir, a paciência para emboscar, a perseverança para sobreviver, a astúcia para dissimular, a fé para resistir e vencer, e daí-nos também senhor a esperança e a certeza do retorno, mas , se, defendendo essa brasileira Amazônia, tivermos que perecer, oh Deus, que façamos com dignidade e mereçamos a vitória, Selva!!!"

sábado, 12 de fevereiro de 2011

ERA UMA VEZ A ESTABILIDADE ECONÔMICA...


O Plano Real está vivendo o momento mais perigoso dos seus 16 anos de existencia. O incrível é que a imprensa nacional não quer se dar conta disso. Com um mes de governo, Dilma teve que anunciar medidas de contenção de gastos para evitar que a inflação rompa o limite máximo da meta, que é 6,5% e estoure.

Cadê o país maravilha de Lula? Dilma sofre as consequencias de um governo inconsequente e irresponsável, como foi o governo Lula. De duas uma: ou Dilma não era gerente coisa nenhuma do governo Lula ou foi uma gerente muita burra, deixando o presidente semi-analfabeto fazer todas as besteiras possíveis para colocar em risco, a maior conquista do povo brasileiro da história recente: a estabilidade do Plano Real!

Os 40 milhões de idiotas, principalmente os bolsistas, que apoiaram cegamente o presidente operário-analfabeto, serão os primeiros a sofrer as consequencias de um descontrole inflacionário. Mas atingirá a todos, inclusive os que não concordaram e lutaram contra o governo irresponsável de Lula.

Chegou a hora da verdade! De se enxergar que toda a prosperidade da vida das pessoas, se deveu a um plano econômico sério e competente, mas que exigia a mesma competencia e seriedade do governo de plantão, na sua condução, o que infelizmente não aconteceu no governo Lula.

Embora nominalmente os cortes de Dilma pareçam grandes e suficientes para conter a espiral inflacionária, há indícios que há mais vento do que carne nesse pastel. A coisa vai ser mais apertada do que parece, então, vale lembrar: "Se vira nos trinta, PT!"
Lula descartou sua candidatura em 2014, a favor do projeto Dilma. Modéstia? Po...a nenhuma! O mulá está se rendendo aos fatos do seu desastrado governo e das consequencias negativas à estabilidade economica. Sabe, que por mais que Dilma seja discreta, as ações necessárias para o novo governo colocar o país nos trilhos, vão fazer sua máscara cair e os questionamentos serão inevitáveis.

Causou estranheza na reunião do PT, Dilma usar a expressão "senhor" toda vez que se referia a Lula. A presidente herdeira já entendeu que precisa manter distancia do operário-analfabeto ex-presidente se quiser se manter na política!


POUCA VERGONHA!


Com sala reservada ao lado do ministro da Defesa, Nelson Jobim, o ex-deputado José Genoino (PT-SP) provocou estranheza ao chegar a um jantar privado em um carro de uso administrativo da Câmara dos Deputados.

Depois de participar do ato político de aniversário do PT , na quinta-feira, Genoino usou o veículo para se deslocar para a casa do ex-deputado Sigmaringa Seixas, no Lago Sul, onde já estavam o ex-presidente Lula, a presidente Dilma Rousseff, além de ministros e dirigentes petistas.

O ex-deputado petista, não reeleito, chegou em carro oficial da Câmara, mas saiu de carona com o líder do PT na Câmara, deputado Paulo Teixeira (SP). Na saída, Genoino disse:

- Estava de carona com o pessoal da Câmara, vim de carona. Mas estou indo embora com o Paulo Teixeira - disse Genoino, sem dizer de quem era o carro administrativo da Câmara (com logotipo da Casa e não o modelo de carro dos deputados) que o levou ao jantar.

Os carros com logotipo são para fazer serviços administrativos da Câmara.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

ESTABILIDADE DO REAL EM RISCO


de Ricardo Setti

Para quem acha que deixou o país uma maravilha para a sucessora, o ex-presidente Lula deve estar caindo do cavalo ao constatar as duras realidades da vida que a presidente Dilma Rousseff está precisando enfrentar, diante da apavorante perspectiva de que a inflação este ano estoure não o centro da meta — 4,5% –, mas o seu limite máximo: 6,5%. Isso significará sair de controle.

Na verdade, não sei porque a grande mídia não está tratando as medidas anunciadas ou em curso como o que de fato elas são — um caso próximo da emergência nacional.

Raras vezes um presidente que assume terá tido tamanho desafio pela frente — um desafio complexo e gigantesco — mal completado um mês de governo.

Só para lembrar o que está em curso ou em cogitação, justamente para enfrentar a herança maldita de Lula. Parte das medidas foi anunciada pelos ministros Guido Mantega, da Fazenda, e Miriam Belchior, do Planejamento:

* Um fenomenal corte de 50 bilhões de reais no Orçamento deste ano, o maior de que se tem notícia – mais do que tudo o que Lula investiu em 2010.

Opinião de O Globo

Não se pode acusar Dilma Rousseff de incoerente. Eleita, defendeu a estabilidade econômica, para a qual o combate à inflação é básico. E na quarta-feira, por meio dos ministros Guido Mantega e Miriam Belchior, da Fazenda e do Planejamento, o governo anunciou a intenção de cortar, no Orçamento deste ano, R$ 50 bilhões, algo um pouco acima de 6,5% de uma conta de despesas de R$ 769,9 bilhões.

A intenção, acertada, é reduzir a contribuição dos gastos públicos para o aquecimento excessivo da demanda, causa, em boa medida, do fato de a inflação chegar a 6% anuais, um ponto e meio acima do centro da meta (4,5%) e apenas a meio ponto do limite superior dela.

O Planalto demonstra entender o risco do descontrole inflacionário num país em que ainda há muitos preços indexados e uma memória adormecida na sociedade do longo período em que a alta de ontem deflagrava a remarcação de hoje.

Basta uma fagulha, sem ser combatida como deve pelo governo, para esta memória ser despertada e o mecanismo da “inflação inercial” voltar a agir, pelo qual a inflação do futuro é movida pela do passado.

Cabe registrar que o anúncio deste contingenciamento ocorre não muito depois de o Banco Central ter aumentado a taxa básica de juros em meio ponto percentual, de 10,75% para 11,25%, o início de mais um aperto monetário para conter preços.

Assim, pela primeira vez desde o final do primeiro mandato de Lula, o Ministério da Fazenda age na mesma direção do BC, e acaba com a grave esquizofrenia de política econômica verificada desde aquela época, em que a Fazenda acelerava a gastança e o BC tinha de manter a inflação sob controle via juros.


quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

MARTELO BATIDO


Editorial do Estadão

A decisão da presidente Dilma Rousseff de declarar encerradas as negociações com as centrais sindicais e os partidos da base sobre o reajuste do salário mínimo de 2011 - fincando pé no valor fixado de R$ 545 - é uma demonstração de autoridade e coerência política.

Não é pouca coisa para quem tem léguas a percorrer na construção de um estilo de liderança pessoal que resgate a sua imagem da sombra do seu padrinho e grande eleitor Luiz Inácio Lula da Silva.

De mais a mais, ela está certa em se manter fiel à regra acertada com os sindicalistas em 2007, pela qual o mínimo deve ser reajustado por uma fórmula que leva em conta a taxa de inflação do ano anterior e a variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes.

Primeiro, porque os pactos existem para ser cumpridos e também disso depende a reputação de um governo.

Segundo, porque um aumento maior do que o resultante daquele cálculo desmoralizaria na primeira curva do caminho os reiterados compromissos da presidente com o "valor absoluto" da estabilidade econômica e com o rigor fiscal por ela prometido já no seu pronunciamento da vitória, em 31 de outubro.

Afinal, os benefícios da Previdência são reajustados pelo salário mínimo.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

REUNIÃO TENSA NO PLANALTO


Após quase três horas de tensa reunião no gabinete da presidente Dilma Rousseff na noite desta terça-feira, em que ouviram cobranças duras a respeito do apagão de sexta-feira (4) no Nordeste, a cúpula do setor elétrico brasileiro saiu do encontro evitando qualquer tipo de relato da reunião.

Participaram da reunião, que tinha o objetivo de esclarecer a causa do apagão, o ministro Edison Lobão (Minas e Energia), os presidentes da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), Nelson Hubner, da Chesf (Companhia Hidrelétrica do São Francisco), Dilton da Conti Oliveira, do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), Hermes Chipp, e da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), Maurício Tolmasquim.

Na saída do Palácio do Planalto, apenas Hubner e Conti Oliveira tiveram algum contato com a imprensa, mas se recusaram a responder perguntas. Visivelmente tensos, eles não responderam nem mesmo se a presidente havia determinado demissões na área. Hubner disse apenas que "o processo não está concluído".

Enquanto Dilma tenta acender as lâmpadas, um tenso Guido Mantega tenta apagar as chamas de uma inflação que caminha para romper a barreira dos 6% ao ano e alçar vôo imprevisível. O ministro Mantega teme uma queda de confiança popular no controle inflacionário.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O CONTO DO VIGÁRIO


"O Lula está com problema de memória. Quando Serra propôs o mínimo de R$ 600 e os 10% para os aposentados, ele e Dilma estiveram reunidos com os presidentes das centrais aqui na Força, antes do comício em São Miguel Paulista e afirmaram, juntos, que nos podíamos garantir para as nossas bases que teríamo...s aumento real neste ano" - disse o deputado Paulo Pereira (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, citando o comício de 15 de outubro em que Lula acusou José Serra (PSDB-SP) de fazer demagogia com o salário mínimo.

-" Ele ficou o tempo todo no palanque convencendo a mim e ao Artur (Henrique, presidente da CUT) que tudo seria acertado depois, não precisávamos fixar o valor naquele momento. Estamos apenas cobrando o que ele sugeriu. Mas agora a eleição acabou" - completou Paulinho.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A CAIXA PRETA DA PETROBRÁS


editorial de O Estado de S.Paulo

Há uma caixa-preta na área de comunicação da Petrobrás. Por iniciativa da empresa, só notícias boas merecem ser dadas a conhecimento público, com preferência para os recordes de produção e novas descobertas na área do pré-sal.

Desde a última semana do ano passado, a Petrobrás informou que bateu recordes na produção diária de petróleo e gás natural, na produção de gasolina e de asfalto, registrou aumento de reservas e divulgou uma nova descoberta de óleo na Bacia de Santos.

Quase sempre, esses dados são considerados fatos relevantes, comunicados aos acionistas, publicados em jornais e registrados pela Bolsa. Mas quando as notícias são ruins, a Petrobrás esconde o quanto pode.

Na última sexta-feira, a empresa estatal limitou-se a confirmar que a Plataforma Cherne 2 (PCH-2) na Bacia de Santos está paralisada desde o dia 19 por causa de um incêndio, que não deixou vítimas. Vinte dias depois do acidente, a assessoria da Petrobrás informou que "está preparando" um comunicado a respeito, mas não divulgou a data em que isso ocorrerá.

Com tanta delonga, até parece que a nota oficial, além de ser aprovada pelo presidente da empresa, deve passar pelo seu conselho de administração, pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) e, quem sabe, até pela presidente da República, Dilma Rousseff.

A Petrobrás age como se o País ainda estivesse mergulhado nos anos de chumbo. Felizmente, o Brasil tem uma imprensa atenta ao que se passa e que ouve as queixas dos que moram ou trabalham nos locais atingidos. No caso, foi o Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro) do Norte Fluminense que, com presteza, informou a irrupção de um incêndio de "grandes proporções" no módulo 5 da PCH-2, com duração de mais de uma hora.

É natural que a companhia institua uma comissão para investigar o que chama de incidente, contando para isso com a colaboração da Marinha. Mas isso não justifica, em absoluto, a ausência de uma nota oficial dando conta do ocorrido.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

HERANÇA IRRESPONSÁVEL DE LULA


Editorial de O Globo

A dificuldade da tarefa do governo Dilma Rousseff de recolocar as contas públicas nos trilhos é proporcional ao pouco caso com que o governo, especialmente em 2010, inflou os gastos, num estrago fiscal que as manobras e os artifícios contábeis não conseguiram nem de longe disfarçar.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reagiu como militante do PT, e não como economista, à correta referência feita em documento do FMI à deterioração das finanças públicas brasileiras. Para ele, a crítica se devia a algum “velho ortodoxo” entrincheirado na sede do fundo, em Washington.

A acidez do comentário não consegue ofuscar o tamanho do problema. Por contingências técnicas e até limitações físicas, a economia brasileira não conseguiria manter a taxa média de crescimento do ano passado, acima de 7%, por muito tempo.

Os dois principais termômetros do nível de atividade — inflação e as contas externas — há algum tempo começaram a sinalizar o excesso de velocidade.

A preocupação demonstrada pelo novo governo com o tema faz todo sentido, pois são cruciais o controle da inflação, próxima dos 6% e se distanciando do centro da meta (4,5%), e a manutenção da tranquilidade no setor externo — hoje garantida por reservas que se aproximam dos US$ 300 bilhões —, numa conjuntura mundial de futuro ainda incerto.

Com o Congresso em funcionamento, o Palácio dá sequência a duas negociações estratégicas: sobre o salário mínimo, em que a presidente, para reajustá-lo, deseja seguir a regra estabelecida no governo passado em comum acordo com os próprios sindicatos; e o Orçamento de 2011, impossível de ser executado sem cortes — a não ser que alguém em Brasília deseje ir contra a manutenção da estabilidade econômica, já incorporada ao patrimônio da sociedade.

OPINIÃO DE FERNANDO HENRIQUE

É hora de a oposição falar forte e esquecer as questões pequenas Novo ano, nova presidente, novo Congresso atuando no Brasil de sempre, com seus êxitos, suas lacunas e suas aspirações.

Tempo de muda, palavra que no dicionário se refere à troca de animais cansados por outros mais bem dispostos, ou de plantas que dos vasos em viveiro vão florescer em terra firme.

A presidente tem um estilo diferente do antecessor, não necessariamente porque tenha o propósito de contrastar, mas porque seu jeito é outro. Mais discreta, com menos loquacidade retórica. Mais afeita aos números, parece ter percebido, mesmo sem proclamar, que recebeu uma herança braba de seu patrono e de si mesma.

Nem bem assume e seus porta-vozes econômicos já têm que apelar às mágicas antigas (quanto foi malfalado o doutor Delfim que nadava de braçada nos arabescos contábeis para esconder o que todos sabiam!) porque a situação fiscal se agravou. Até os mercados, que só descobrem estas coisas quando está tudo por um fio, perceberam. Mesmo os “velhos bobos ortodoxos do FMI”, no linguajar descontraído do ministro da Fazenda, viram que algo anda mal.

Seja no reconhecimento mal disfarçado da necessidade de um ajuste fiscal, seja no alerta quanto ao cheiro de fumaça na compra a toque de caixa dos jatos franceses, seja nas tiradas sobre os até pouco tempo esquecidos “direitos humanos”, há sinais de mudança.

Os pelegos aliados do governo que enfiem a viola no saco, pois os déficits deverão falar mais alto do que as benesses que solidarizaram as centrais sindicais com o governo Lula.

Aos novos sinais se contrapõem os amores antigos: Belo Monte há de vir à luz com cesariana, esquecendo as preocupações com o meio ambiente e com o cumprimento dos requisitos legais; as alianças com os partidos da “governabilidade” continuarão a custar caro no Congresso e nos ministérios, sem falar no “segundo escalão”, cujas joias mais vistosas, como Furnas (está longe de ser a única) já são objeto de ameaças de rapto e retaliação.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

BAÚ DA ESPERANÇA

fonte, ISTOÉ

Há décadas, o empresário Senor Abravanel é um dos homens mais admirados do Brasil. Ex-camelô, ele construiu no imaginário nacional a imagem do empreendedor que veio de baixo e ergueu um império graças ao próprio esforço.

Com o passar do tempo, o filho de imigrantes assumiu uma nova identidade, a do carismático apresentador Silvio Santos. Um homem que, durante muitos anos, também foi o maior contribuinte do Imposto de Renda pessoa física do País.

Três meses atrás, quando foi anunciado um rombo de R$ 2,5 bilhões no PanAmericano, essa admiração cresceu ainda mais, quando Silvio entregou todo seu patrimônio pessoal em garantia a um empréstimo do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que permitiria o resgate do banco.

E o discurso do governo, capitaneado por Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central, veio na linha do “nunca antes na história deste país” um empresário demonstrou tanto desprendimento e desapego ao dinheiro.

Na semana passada, descobriu-se que o rombo do PanAmericano era ainda maior: em vez de R$ 2,5 bilhões, inacreditáveis R$ 4 bilhões. E Silvio, que já não tinha mais patrimônio para oferecer em garantia, fez o maior negócio de sua vida.

Sinalizou ao Banco Central que não faria qualquer movimento para impedir a quebra e a liquidação do banco. Imediatamente, o FGC e o governo, alegando “risco sistêmico”, começaram a se mexer.

O Fundo ampliou os empréstimos ao banco, a Caixa Econômica Federal abriu um “cheque especial” de R$ 7 bilhões para o PanAmericano e, assim, foi possível encontrar um comprador: o BTG Pactual, do banqueiro André Esteves.

Na prática, Silvio Santos conseguiu trocar um banco falido pelo resgate de todo seu patrimônio, uma vez que as garantias foram liberadas. Mais ou menos o que ele fazia nos seus programas de auditório, quando um telespectador, preso a uma cabine, podia trocar uma bicicleta quebrada por uma pequena fortuna.

Silvio fez o que qualquer empresário faria, mas o fato é que a solução encontrada no seu caso abre o que os economistas chamam de risco moral. A partir de agora, um banqueiro pode quebrar e ainda assim salvar seu patrimônio.

Não custa lembrar que, há poucos dias, Edemar Cid Ferreira, que tem um filho casado com uma filha de Silvio, foi despejado de sua mansão – e o rombo anunciado pelo Banco Central no Banco Santos era bem menor do que o do PanAmericano. O dono do Baú da Felicidade, certamente, contava com mais reputação e poder de influência.

E encontrou a sua porta da esperança num baú muito mais fundo.

NORDESTE ÀS ESCURAS

Mirella Falcão, Diário de Pernambuco

Região sofreu com a falta de energia por algumas horas, gerada por conta da ausência de investimento no setor, que é comandado por políticos

Mais uma vez os estados do Nordeste ficam às escuras. Já é o sexto apagão desde 1985, sendo que desde 2009, o problema vem se repetindo a cada ano. Desta vez, por mais de quatro horas, o abastecimento foi interrompido parcialmente na Bahia e totalmente nos estados de Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, na madrugada de ontem.

Mais do que a fragilidade do sistema, a recorrência dos blecautes expõe o loteamento político que virou o setor elétrico. No olho do furacão, a presidente Dilma promete mais técnicos do que políticos no comando das empresas estatais responsáveis pelo setor.

Há mais de 20 anos, o Ministério de Minas e Energia está nas mãos do grupo ligado ao senador José Sarney (PMDB-AP). A presidente Dilma, no entanto, quer agora o controle pessoal das principais estatais do setor elétrico e diz que não vai aceitar chantagens e ameaças de aliados para a nomeação dos cargos. ´Quem foi eleita fui eu. Se eles pensam que mandam no meu governo, estão enganados`, afirmou Dilma, ontem.

O apagão antecipou a mudança nos principais cargos. A troca de cadeiras começa pela presidência da Eletrobrás. Sai José Muniz e entra o ex-presidente da Cemig, José da Costa Carvalho.

Terão novos presidentes Eletrosul, Eletronorte, Eletrobrás Distribuidoras, Furnas, Eletronuclear e inclusive, a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), que ficou sob os holofotes no último blecaute.

A presidência da Chesf é ocupada há oito anos por Dilton da Conti, em nome do PSB. Fala-se que apenas um nome será mantido: Jorge Samek, da Itaipu Binacional e filiado ao PT do Paraná.

Na próxima segunda-feira, representantes da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Ministério de Minas e Energia (MME), Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e Chesf se reúnem para tratar do problema.

Na terça, a Chesf envia o Relatório de Análise da Perturbação, detalhando o blecaute à Aneel. Os dados preliminares apontam para uma falha em uma cartela do sistema de proteção da subestação de Luiz Gonzaga, que fica na divisa entre Pernambuco e Bahia.

Especialistas consideram que os frequentes blecautes são consequência de falta de investimentos no setor elétrico.

Ao contrário do que ocorreu no apagão de 2001, que levou a um racionamento de luz em todo o território nacional, o problema atual não é falta de energia, mas sim de investimentos na operação do sistema de transmissão.

RAINHA DO APAGÃO

do Coturno Noturno

Se o marqueteiro quer que ela tenha pose de rainha, Dilma Rousseff já pode ser chamada de rainha do Apagão. É o terceiro que ocorre durante a sua gestão no governo petista, como ministra das Minas e Energia, como candidata presidencial e, agora, como presidente. O mais incrível de tudo no apagão de sexta é que 40 milhões de brasileiros ficaram sem luz por horas a fio, Xingó e Paulo Afonso, duas imensas usinas hidrelétricas simplesmente pararam de funcionar, mas o governo não tem a mínima idéia do que aconteceu. E o mais incrível ainda! Tudo pode ter sido causado por falha em um pequeno circuíto eletrônico que, todos sabemos, deveria ter redundância, se tem tamanha importância ao ponto de , falhando, colocar o quase todo o Nordeste no escuro. O ministro Edson Lobão, que não sabe a diferença entre um fusível e um disjuntor, afirma que o sistema elétrico brasileiro é um dos mais perfeitos do mundo. Ontem, notórios corruptos foram nomeados para cargos estratégicos no setor. A rainha do Apagão, além de apagar a luz, também está apagando folhas corridas, gravações e impressões digitais. A falta de Luz para Todos está aí. É do escurinho que eles gostam.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

MINISTRO PIMENTEL DENUNCIADO


A juíza Neide Martins, da 9ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG), determinou a remessa ao Supremo Tribunal Federal (STF) de cópias dos autos da denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual (MPE) contra o atual ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT).

Em dezembro, o MPE propôs à Justiça ação penal contra Pimentel e outros cinco denunciados por crimes como dispensa ilegal de licitação pública, desvio de recursos públicos em proveito alheio e lavagem de dinheiro no ano de 2004, época em que o petista chefiava o Executivo municipal.

Na denúncia criminal, o MP apontou irregularidades no processo de implantação do programa Olho Vivo, que levou à instalação de câmeras de vigilância nas ruas da capital mineira.

A juíza recebeu no último dia 25 a denúncia contra cinco acusados e decidiu pelo desmembramento do processo, já que Pimentel possui foro privilegiado e só poderá ser processado no STF. A denúncia foi apresentada no último dia 14 de dezembro - um dia antes de o ex-prefeito ser confirmado como ministro - pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público.

O MPE pediu à Justiça que Pimentel seja condenado por dispensa ilegal de licitação e "desvio de rendas públicas em proveito alheio".

PT VERSUS PMDB: CABO DE GUERRA


Terminou por volta de 1h30 desta madrugada a reunião entre Antonio Palocci e a cúpula do PMDB para começar a definir o segundo escalão do governo. Terminou tarde e muito mal, ressalte-se.

A encrenca da noite, que não deixou nada andar, atende pelo conhecido nome de Furnas, que tanto atiça o apetite do PMDB de Eduardo Cunha.

Henrique Eduardo Alves disse que não aceitava a ideia do governo de nomear Flavio Decat como presidente de Furnas e deixar Cunha longe da estatal. Não é o que achavam Michel Temer e Renan Calheiros, também presentes à reunião, mas o PMDB é assim mesmo – uma espécie de condomínio em que cada um fala por uma ala. Alves, falando em nome de Cunha, bateu pé. O encontro terminou sem solucionar o caso Furnas.

MAS NÃO É UMA FESTA?


O Acre é o Estado que tem o penúltimo pior PIB (Produto Interno Bruto, a soma de todas as riquezas) do país.

Sabe quanto ganha o governador de lá? Ganha 5% a mais do que o governador de São Paulo.

O Estado do Acre gasta mensalmente R$ 1.351.312,90 para manter o salário dos 76 membros do primeiro escalão do governo.

Em quatro anos a despesa chega a pouco mais de R$ 64 milhões.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

QUE PENA!


Em plena piracema, milhares de peixes foram encontrados mortos no rio Negro, próximo a fazenda Rio Negro, município de Aquidauana, região do Pantanal de Mato Grosso do Sul.

Conforme reportagem do site 'O Pantaneiro', as primeiras informações sobre o desastre foram repassadas por Urbano Vilalba, pantaneiro que há mais de 30 anos mora na região.

Segundo Vilalba, os peixes começaram a aparecer mortos, boiando no rio, desde a última quarta-feira e o fenômeno não pode ser considerado natural como a decoada (acontecimento natural da região que provoca a deterioração da qualidade da água dos rios e conseqüentemente, a mortandade de peixes no Pantanal).

- Nunca vimos nada igual - disse ele.

QUE NEGÓCIO É ESSE?

de Miriam Leitão

Não ficou clara a venda do PanAmericano, do Grupo Silvio Santos, ao BTG Pactual. As informações que saíram ontem não esclarecem coisas fundamentais para as pessoas em geral. Se fosse só um negócio entre dois grupos privados, eles que se entendessem por lá, mas não é.

O banco estava quebrado, há informações de que o rombo pode ser maior do que o divulgado inicialmente. Não faz sentido do ponto de vista financeiro o empresário Silvio Santos ter recebido R$ 400 milhões e liberado todas as garantias dadas ao Fundo Garantidor de Crédito. Seria um péssimo negócio. Um banqueiro experiente como André Esteves, dono do BTG, não faria uma coisa assim.

Tem de explicar melhor por dois motivos: a Caixa Econômica Federal colocou muito dinheiro nesse banco e tem 49% das ações. É parte da administração, responsável por qualquer coisa que aconteça.

O Fundo Garantidor de Crédito, que socorreu o banco com empréstimo, é, na verdade, um fundo público, formado por parte do dinheiro de todos que têm conta corrente em banco. É administrado por instituições privadas e públicas, não é estatal, mas é público. O objetivo desse fundo é ter dinheiro para acudir um banco em caso de quebra. Interessa a todos nós, portanto, que fiquem bem esclarecidas as condições desse negócio.