quarta-feira, 17 de agosto de 2011

VÃO OS ANÉIS, FICAM OS DEDOS


A presidente Dilma Rousseff decidiu manter Wagner Rossi no Ministério da Agricultura para não brigar com o PMDB do vice-presidente Michel Temer, mesmo com todas as denúncias de suposto tráfico de influência envolvendo o ministro.

Em contrapartida, Dilma vai impor uma faxina nos cargos hoje ocupados por amigos de Rossi. Há 12 pessoas que ocupam cargos hoje na Agricultura, por indicação política e amizade com o ministro, que estão na mira da presidente e devem ser substituídos por nomes técnicos.

Essa é a base do acordo de convivência com a base aliada, que tem no vice-presidente da República - eleito com ela na mesma chapa - um dos seus principais líderes. Temer é o padrinho da nomeação de Rossi.

Segundo informações de auxiliares da presidente da República, Dilma fará o máximo de esforço para evitar repetir com o PMDB a experiência traumática que vive com o PR, alijado do Ministério dos Transportes. O PR na terça-feira, 16, abriu mão dos cargos que ocupa no governo e disse que atuará com independência nas votações no Congresso.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

MISTURANDO PÚBLICO E PRIVADO


estadão.com.br

O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, e um de seus filhos, o deputado estadual Baleia Rossi (PMDB), utilizaram um avião pertencente à empresa Ourofino Agronegócios para viagens particulares, revelou reportagem divulgada nesta terça-feira, 16, pelo jornal Correio Braziliense.

Sediada em Ribeirão Preto (SP), – cidade onde mora o ministro e a família – a empresa recebeu autorizações da Agricultura para obter patentes de medicamentos e registrou crescimento de 81% após sua entrada na campanha de vacinação contra a febre aftosa, iniciada em novembro de 2010. Segundo o jornal, a empresa foi liberada pelo ministério para comercializar a vacina em outubro, o que a tornou pioneira no setor.

Funcionários do aeroporto Leite Lopes, em Ribeirão Preto, relataram à reportagem que o ministro e seu filho são vistos com frequência desembarcando no jatinho da Embraer, modelo Phenom, pertencente a Ourofino Agronegócios.

Um dos sócios da empresa é Ricardo Saud, assessor especial do ministro e diretor da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo do Ministério da Agricultura. A reportagem indicou que, na certidão de fundação da Ethika Suplementos e Bem Estar, subsidiária do Grupo Ourofino, ele é citado como sócio responsável por “agir de forma a legalizar a sociedade junto aos órgãos municipais, estaduais, federais e autarquias” e para atuar “junto à Universidade de Uberaba, para representação dos interesses e do objeto social da Ethika”.

Ainda segundo a reportagem, em setembro de 2007, à época em que era secretário de Desenvolvimento Econômico em Uberaba, Saud autorizou doação de terreno de 226 mil metros quadrados para a Ourofino instalar unidade industrial. De acordo com despacho municipal assinado por Saud, a Ourofino também foi beneficiada com isenção de Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) por 10 anos.

LULA E O RASTRO DE CORRUPÇÃO


de Denise Rothenburg

"Se o eleitorado tiver essa percepção lá na frente - digo, mais perto das eleições - e o cidadão comum repassar para a imagem de Lula a mesma revolta que sente ao ver o dinheiro de seus impostos servindo para dar luxo e riqueza a uns poucos, estará dada a senha para uma mexida geral na política."

Lula, o alvo

A praga da corrupção não atingiu apenas a agricultura. Infestou o atual governo e parece que não há inseticida que resolva....

Se a revolta que a população sente com a corrupção atingir a imagem do ex-presidente, ele se enfraquecerá, Dilma ficará isolada e virá algo novo na política nacional. É isso que hoje mais incomoda o PT em meio a toda essa crise

Em meio à enxurrada de escândalos que faz com que alguns mudem o nome da Esplanada dos Ministérios para Espanada nos Ministérios, os políticos começam a expor suas impressões sobre o momento. A conclusão de vários grupos, especialmente do governo e de seus aliados, é uma só: o alvo de toda essa confusão política gerada pelas denúncias de corrupção - ou pelo menos parte delas - é enfraquecer a imagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

E quem diz isso não põe Lula no papel de coitadinho perseguido, não. Não é isso. Simplesmente esses casos - Turismo, Agricultura, Transporte e quem mais chegar - podem levar muitos a concluir que o governo Lula era conivente com a corrupção. Isso porque todos os casos divulgados até agora ocorreram no governo dele. Assim, constatam os políticos, o objetivo seria mesmo jogar ao sol tudo o que ficou na sombra durante a campanha eleitoral e a ascensão dos brasileiros a um novo patamar de renda. Ou seja, tentar mostrar que o mesmo presidente que deu essa alavancada no país em prol dos mais pobres deixou alguns se fartarem sob sua barba.

Se o eleitorado tiver essa percepção lá na frente - digo, mais perto das eleições - e o cidadão comum repassar para a imagem de Lula a mesma revolta que sente ao ver o dinheiro de seus impostos servindo para dar luxo e riqueza a uns poucos, estará dada a senha para uma mexida geral na política. Por enquanto, a imagem que se tem é de escândalos de corrupção em série e de partidos zonzos - conforme dissemos aqui na semana passada. E, em meio a tudo isso, uma presidente bem-intencionada que está convivendo com problemas políticos gerados pelo desconforto dos partidos ao verem seus integrantes denunciados.

Ocorre que a mesma Dilma que faz a faxina não tem esse borogodó todo na política. E está numa encruzilhada. Se fizer tudo o que os partidos desejam, soará como alguém que não teve pulso para continuar a tal "faxina". Se não fizer, os partidos dirão que ela não entende de política, não tem jogo de cintura. Para completar, há os atrasos na execução dos PACs 1e 2 e a crise econômica internacional. Se não superar isso, passará cada vez mais a imagem de que não é lá aquela gerentona especialíssima que todos esperam.

É nessas horas difíceis que Dilma recorre a Lula. Especialmente quando se sente meio isolada no quesito política, como agora. Lula, por sua vez, ajuda a resolver, fala com um e outro, e é ouvido por todos os aliados. E Lula hoje só é ouvido porque tem tino político, uma alta popularidade e ainda é a opção do PT para o futuro. Pois bem, voltamos ao princípio deste artigo: se Lula for enfraquecido, quem Dilma vai ouvir? Com quem o PT vai contar?

O PT sabe que não tem um substituto à altura para Lula. Embora tenha em Dilma uma boa candidata para 2014, e todos digam que ela é o nome, esse pacto com o PMDB e demais aliados não está selado. E nem Dilma trata dessa perspectiva de futuro no atual momento. Aliás, o PT está ciente de que a presidente não é lá de ficar dando muita corda para a política. Como ela mesma disse na entrevista à revista Carta Capital que chegou às bancas no fim de semana, "tenho de gastar meu tempo tratando de assuntos que resolvam os problemas do país". Ocorre que, enquanto Dilma cuida dos problemas do país e a crise tira o verniz do que foi o governo Lula e da gerente Dilma, o PMDB anda conversando muito com o PSDB e o DEM em salas reservadas nos restaurantes de Brasília. Não é à toa que os petistas se reuniram no Palácio do Planalto semana passada. Já sentiram que os movimentos para tirá-los do papel de anfitriões do poder estão começando e eles não vão ficar apenas assistindo ao tufão se aproximar. A política promete realmente grandes emoções daqui para frente.

E por falar em oposição

PSDB e DEM em momento algum negaram apoio à faxina da corrupção. Querem mais é ver o circo pegar fogo para ver se o PT se incendeia nele. Acham que a hora de desgastar Lula e seu partido é este semestre, crucial para a montagem dos palanques das eleições municipais do ano que vem. Em São Paulo, por exemplo, o PT já está em chamas. Marta Suplicy, ex-ministra do Turismo, anda cabisbaixa depois da prisão do ex-presidente da Embratur Mário Moisés, seu aliado. E Fernando Haddad, ministro da Educação, desfila lépido e fagueiro como pré-candidato a prefeito da capital paulista. Já tem gente apostando um doce que Marta, se sentir o fogo arder sob seus pés, não se movimentará para ajudar a eleger Haddad. Entre os tucanos, as apostas são mais elevadas. Afinal, eles também não podem falar muito de unidade em São Paulo. Lá, tucanos e petistas têm algo em comum: o PSDB só se une para criticar o PT e vice-versa. Fora isso, quem sair primeiro da roda fica de orelha quente.

MINISTÉRIO "CORROMPIDO"


Israel Leonardo Batista, ex-chefe da comissão de licitação da Agricultura, afirmou ontem (15) que o Ministério da Agricultura foi "corrompido" após a chegada de Wagner Rossi à pasta. Segundo Batista, o ministro colocou pessoas no ministério que "vão assinar o que não devem".

Batista afirmou que o lobista Júlio Fróes lhe entregou um envelope com dinheiro dentro do ministério depois da assinatura de um contrato milionário da pasta com uma empresa que o lobista representava.

Israel disse ainda que as fitas do circuito interno da pasta podem comprovar se Rossi conhece ou não o lobista. Segundo ele, o ministro irá atrapalhar as investigações se permanecer no cargo.

O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, não comentou as suspeitas de irregularidades na pasta levantadas pelo servidor Israel Leonardo Batista em entrevista à Folha.

Disse, no entanto, que ele deve apresentar mais nomes e provas sobre pessoas envolvidas no esquema.

O Ministério da Agricultura é alvo de suspeitas de irregularidades desde que ex-presidente da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), Oscar Jucá Neto, irmão do líder no governo no Senado, Romero Jucá (PMDB), afirmar em entrevista à revista "Veja" que "há bandidos" no órgão e sugerir que o ministro Wagner Rossi participava de esquemas de corrupção.

QUE GOVERNO ORGANIZADO!


Por João Domingos, no Estadão:

A faxina feita pela presidente Dilma Rousseff nos transportes não livrou o governo do fantasma de Luiz Antonio Pagot, ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Embora sua carta de demissão tenha sido entregue no dia 25 de julho, Pagot ainda assina termos aditivos para obras contratadas pela autarquia.

O Diário Oficial da União (DOU) de ontem publicou termo aditivo para a duplicação e restauração de um trecho de 8,6 quilômetros, na Serra de São Vicente, em Alto Araguaia, na divisa entre Mato Grosso e Goiás. O documento foi assinado justamente por Pagot.

De acordo com o DOU, a assinatura ocorreu no dia 9, exatamente 15 dias depois de Pagot ter pedido as contas e anunciado que iria para a iniciativa privada. Na ocasião, chegou a afirmar que não respeitaria a quarentena exigida para todos os servidores públicos que deixam suas funções.

A obra, que mereceu o termo aditivo - cuja licitação foi vencida pela Construtora Delta -, teve o custo previsto de R$ 26,819 milhões. Foi contratada em 2009.

O termo aditivo assinado entre o ex-chefão do Dnit e a empreiteira não foi, desta vez, para alterar valores, mas para prorrogar o prazo de entrega.

As suspeitas de corrupção no setor de transportes, que levaram ao afastamento de 27 pessoas - entre elas Pagot e Alfredo Nascimento do Ministério dos Transportes -, fizeram com que o governo suspendesse as licitações e os termos aditivos logo depois do dia 4 de julho.

PARA O GOVERNO? MULTIPLICA POR 3!


Investigado pela Operação Voucher, o empresário Humberto Silva Gomes confirmou, ser autor das declarações captadas pela Polícia Federal em que orienta um interlocutor a superfaturar contratos com o governo federal.

"É para o governo, joga o valor por três, tudo vezes três", diz Gomes em diálogo gravado com autorização judicial.

Em Miami, onde diz ter viajado para vender um carro antes de a operação da PF ser deflagrada, Gomes diz que a conversa foi editada e está fora de contexto. Ele, no entanto, afirma na entrevista concordar com a 'análise' que faz ao interlocutor.

"Se for relacionado à licitação, ao processo licitatório, em que você joga para cima o valor para poder concorrer, sim. Eu não só penso assim como vejo que o mercado pensa assim. Isso é uma prática comum do mercado."

Segundo Gomes, o Brasil precisa ser mais sério na forma de tratar o dinheiro públic.o

"O Brasil precisa ser mais sério como ele trata o dinheiro público. Se o próprio governo não liga, eu vou ser bem sincero, eu vou fazer a minha parte."

Segundo a reportagem do telejornal, ele afirma ter sido contratado por duas instituições que supostamente prestaram serviços para o Ministério do Turismo e disse que não teme ser preso ao voltar ao Brasil.

"Se cometi algum erro, vou respoder."


segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A LARANJA DA DEPUTADA

da revista Veja

Wladimir Furtado, dono da Conectur, entidade investigada por fraudes com verbas do Ministério do Turismo no Amapá, afirmou, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo que recebeu uma proposta da deputada Fátima Pelaes (PMDB-AP) para servir de "laranja" em um convênio de 2,5 milhões de reais com o governo federal.

"A deputada queria pegar a Conectur para servir de laranja. Ela gostaria que a Conectur entrasse só com o nome. Queria que eu assinasse o convênio em branco", afirmou Furtado. "Ela queria fazer o serviço do jeito dela, que ela tomasse conta, deixasse contador, advogados e técnicos por conta dela."

Furtado afirmou que preferiu não entregar a responsabilidade da execução do convênio para Fátima Pelaes: "Eu disse: deputada, não vou assinar cheque em branco. Depois sou eu que vou prestar contas".

Apesar do pretenso cuidado na relação com a deputada, a Conectur, como mostra a investigação da Polícia Federal (PF), integrou o esquema de desvio de dinheiro do Ministério do Turismo. A entidade foi usada para subcontratar as mesmas empresas de fachada envolvidas no esquema do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável (Ibrasi), entidade pivô da Operação Voucher.

Igreja - Além dos 2,5 milhões de reais recebidos do ministério em 2009, a Conectur recebeu depois 250 mil reais do Ibrasi a título de "subcontratação". De acordo com as investigações, a Conectur é o embrião do esquema de desvios de recursos do ministério no Amapá.

A entidade é registrada numa igreja evangélica - onde Furtado mora. Os 2,5 milhões de reais deveriam ser usados para "Realização de Estudos e Pesquisas sobre Logística no Turismo no Estado do Amapá, levando em conta a situação das redes estabelecidas ao redor dos serviços turísticos". Mas, segundo o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Ministério Público Federal, o contrato não foi executado, além de ter sido palco de desvios para empresas de fachada.

Wladimir Furtado foi preso pela Operação Voucher, e solto na madrugada de sábado. É a primeira vez que ele admite o envolvimento da deputada no esquema que levou 36 pessoas à prisão na terça-feira. No depoimento à PF, Furtado negou qualquer irregularidade e a participação da parlamentar.

STF - O advogado de Furtado, Maurício Pereira, disse que vai requisitar que todo o inquérito da Operação Voucher seja enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde Fátima Pelaes tem foro privilegiado. Na opinião dele, seu cliente não pode mais nem ser denunciado na primeira instância, como planeja o Ministério Público Federal. "Se há indícios de participação da deputada Fátima, a competência é do STF. Tem que subir tudo para lá", disse o advogado.

MARINA SILVA E OS ONGUEIROS INTERNACIONAIS

de Reinaldo Azevedo

O deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP) criticou nesta segunda-feira (15) as ONGs (organizações não governamentais) internacionais. O parlamentar acusou o Greenpeace de ser uma organização aventureira e arrogante. A ex-senadora Marina Silva (AC) também foi alvo de acusações do deputado, relator do projeto de reforma do Código Florestal.

“No alto de sua arrogância, eles [Greenpeace] quiseram intimidar publicamente o Congresso Nacional quando votamos o Código Florestal”, disse Aldo Rebelo em palestra na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

Sobre Marina, o deputado afirmou: “Enquanto Bill Clinton [ex-presidente dos Estados Unidos], o diretor do filme Avatar [James Cameron] e a dona Marina Silva se reuniam em hotéis caros, eu descia o Rio Purus (AC) para conversar com a população local”, afirmou.

O projeto de reforma do Código Florestal, cujo substitutivo foi aprovado na Câmara em maio, contou com o apoio de 410 deputados. Outros 63 foram contra. O texto aprovado prevê a anistia para desmatamentos ilegais feitos até julho de 2008 e permite o plantio em encostas e a criação de gado em topos de morro.

Além disso, permite a redução de 80% para 50% da área de Reserva Legal na Amazônia em casos de regularização. Na hipótese de ser aprovado dessa forma pelo Senado, o código representará uma elevação de vegetação nativa não protegida, apenas em Mato Grosso, de sete milhões para 11 milhões de hectares.

Comento
Pois é… Aldo Rebelo está certo, e ele é que é do PC do B. Já demonstrei aqui umas 300 vezes: é mentira! O código proposto por Aldo não “anistia” ninguém, ao contrário do que informa o texto do Valor. É um absurdo que essas porcarias continuem a ser escritas impunemente, como se verdades fossem. Os proprietários têm de aderir a um conjunto de medidas para que deixem de pagar a multa — ou ela será aplicada. Anistia, na prática, é aquela que está hoje em vigência.

Quanto à ocupação de encostas e topos de morros, o códifo não “permitirá” ocupação nenhuma; reconhece ocupações que já existem há décadas, algumas há uns dois séculos pelos menos. Essas mentiras, organizadas pelo onguismo com interesses muito bem-definidos, vão sendo repetidas por aí. Eu duvido que o redator tenha lido o código. Se leu, ou não entendeu ou decidiu agredir a verdade de modo militante e deliberado.

domingo, 14 de agosto de 2011

CAPA DA VEJA: O HOMEM DO FUSCA LARANJA


O ministro Wagner Rossi, da Agricultura, gastou a semana passada tentando convencer a presidente Dilma Rousseff e o Brasil inteiro de que não tinha ligações com as interferências do lobista Júlio Fróes nos negócios da pasta que comanda, como havia sido revelado por VEJA. Apesar da demissão de Milton Ortolan, segundo na hierarquia e seu braço direito há 25 anos, e das provas de que Fróes tinha sala dentro da Comissão de Licitações da Agricultura, Rossi posava de marido traído. Chamado ao Congresso para dar explicações, disse que Ortolan era ingênuo, e que ele, como ministro, não podia controlar a portaria do ministério para impedir a entrada de Fróes. Sobreviveu uma semana, mas vai precisar de muito mais do que frases de efeito se quiser continuar na cadeira de ministro.

A edição de VEJA que chega às bancas neste sábado mostra que Wagner Rossi, paulistano de 68 anos, é um colecionador de problemas, um daqueles políticos que costumam deixar um rastro de histórias esquisitas por onde passam.

A primeira história relatada por VEJA remonta ao tempo em que Rossi presidia a Companhia Nacional de Abastecimento, a Conab, vinculada ao ministério da Agricultura. No final de 2007, a estatal doou 100 toneladas de feijão para a prefeitura de João Pessoa, então comandada por Ricardo Coutinho, do PSB, hoje governador da Paraíba. O feijão deveria ser distribuído entre famílias de baixa renda, mas como havia uma eleição municipal em 2008, o prefeito decidiu guardar parte do estoque. Funcionário da Conab há 25 anos, Walter Bastos de Moura descobriu a irregularidade e a denunciou diretamente a Wagner Rossi, em abril de 2008. Rossi prometeu tomar providências.

Como nada aconteceu, Walter Bastos passou a vigiar a mercadoria estocada. Em setembro, a poucos dias eleição, ele recebeu a informação de que o feijão seria enfim distribuído e acionou a Polícia Federal e a Justiça Eleitoral. Para evitar o flagrante, diz ele, a prefeitura decidiu sumir com as provas e despejou 8 toneladas de feijão no aterro sanitário de João Pessoa. A cena do lixão inundado por grãos foi registrada no vídeo abaixo.

A história chegou a ser explorada como denúncia contra o prefeito, mas era muito mais grave: tratava-se de um flagrante do uso político da Conab para favorecer aliados do governo federal. Num acesso de sinceridade, o ex-presidente da empresa Alexandre Magno Franco de Aguiar, que sucedeu Rossi na empresa e hoje é seu assessor especial no ministério, confessou a VEJA que o próprio Rossi usou o expediente de distribuir alimentos para conseguir votos, inclusive para favorecer eleitoralmente o filho, Baleia Rossi, deputado estadual e presidente do diretório do PMDB de São Paulo.

Já no cargo de ministro da Agricultura, para o qual foi nomeado em março de 2010 por Lula, Rossi não tardou a implantar seu método de lidar com a coisa pública. Em 8 de dezembro do ano passado, a Comissão de Licitação do Ministério da Agricultura estava reunida para abrir as propostas técnicas de quatro empresas que disputavam um contrato para prestar serviços de comunicação à pasta. Um dos representantes de empresas ali presente fez uma denúncia grave. Disse, em alto e bom som, que aquilo era um jogo de cartas marcadas e que já estava acertado um “pagamento de 2 milhões de reais ao oitavo andar”. No oitavo andar, fica o gabinete do ministro.

O presidente da Comissão de Licitação, Israel Leonardo Batista, disse que registraria a acusação em ata e a encaminharia à Polícia Federal. Não demorou para que fosse chamado à sala da então coordenadora de logística do ministério, Karla Carvalho, onde recebeu a ordem de não tomar nenhuma atitude. Karla já era, na época, figura de confiança de Rossi. De lá para cá, só subiu na hierarquia da pasta. Até a semana passada, era a poderosa secretária-executiva do ministério. Trabalhava diretamente com Milton Ortolan, demitido horas após a última edição de VEJA chegar às bancas com as revelações sobre Júlio Fróes.

Não bastassem as suspeitas que rondam seu gabinete na Agricultura, o ministro ainda deve esclarecimentos sobre sua atuação na Companhia Docas de São Paulo (Codesp), cargo ao qual chegou também pelas mãos do amigo Michel Temer. Quando presidia a Codesp, uma estatal, Rossi descobriu que empresas contratadas pelo Porto de Santos deviam 126 milhões de reais à Previdência. Em vez de exigir que acertassem as contas, decidiu pagar ele mesmo a fatura – com dinheiro público da Codesp, é claro. A lista de beneficiários do dinheiro público inclui 99 empresas privadas que jamais quitaram os débitos assumidos pela estatal. Em 2005, seis anos depois do acordo, apenas 20.000 reais haviam sido ressarcidos à empresa.

Amigo há 50 anos e leal servidor do vice-presidente Michel Temer, Wagner Rossi entrou para a política em 1982, quando concorreu pela primeira-vez a deputado federal. Até então, levava uma vida modesta de professor universitário. Morava em uma casa de classe média em Ribeirão Preto, tinha uma Kombi, uma Belina e um Fusca Laranja, com o qual fez a campanha. “Ele não tinha dinheiro nem para bancar os santinhos”, lembra João Gilberto Sampaio, ex-prefeito de Ribeirão Preto. Depois de dois mandatos como deputado estadual, dois como deputado federal, a presidência da Codesp, da Conab e dois anos como ministro (funções cujo salário máximo é de 26 mil reais), sua ascensão patrimonial impressiona.

O homem do fusca laranja e sua família são, hoje, proprietários de empresas, emissoras de rádios, casas e fazendas. Wagner Rossi mora numa das casas mais espetaculares de Ribeirão Preto, no alto de uma colina, cercada por um bosque luxuriante, numa área de 400 mil metros quadrados. Adquirida em 1996, quando ele era deputado, a mansão é avaliada hoje em 9 milhões de reais. Tudo, nas palavras do ministro, conquistado com o esforço de 50 anos de trabalho e uma herança recebida.

QUEM VAI PARA ROSSI?


Aberta há pouco mais de um ano, firma no interior de SP é uma das dez que mais receberam verbas da pasta em 2011

Um dos sócios, que vive na periferia de BH, nega ser laranja; dirigente da Conab afirma que não existe irregularidade

Breno Costa, Folha de S. Paulo

O Ministério da Agricultura pagou R$ 6,5 milhões neste ano para uma empresa registrada em nome de laranjas e com sede de fachada.

Com um ano e dois meses de atividade, a Commerce Comércio de Grãos Ltda. está entre as dez empresas que mais receberam dinheiro do ministério em 2011, ficando atrás apenas de gigantes do setor de alimentos como a Bunge, Cargill e Amaggi.

Os pagamentos foram feitos entre fevereiro e maio como prêmio pela compra de milho de produtores rurais feita pela Commerce.

Esse é um incentivo dado pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), por meio de leilões, para evitar o acúmulo de estoques quando o preço de mercado está abaixo do mínimo definido pelo governo.

O responsável pela liberação do pagamento é o superintendente de Operações Comerciais da Conab, João Paulo de Moraes Filho, funcionário de carreira do órgão e içado ao posto quando o hoje ministro Wagner Rossi (PMDB) presidia a Conab.

Moraes Filho virou homem de confiança de Rossi, a ponto de seu nome ter sido defendido pelo ministro, este ano, para ocupar cargo estratégico de secretário de Política Agrícola da pasta.

Um dos sócios da Commerce Comércio de Grãos, Ivanilson de Carvalho Rufino, disse que os R$ 6,5 milhões recebidos do Ministério da Agricultura foram "um achado de Deus", obtidos pelos méritos da empresa, "com luta, com trabalho".

"Faço negócios com eles [irmãos Stein Pena], só negócios", disse à Folha. "Quem dera [ser laranja]. Eles são ricos, eu sou pobre."

Rufino se recusou a dar detalhes sobre a Commerce.

Questionado se ele era dono ou apenas funcionário da empresa, respondeu: "Isso não é da sua conta".

ESSE GOVERNO NÃO VAI DAR CERTO


Elio Gaspari, O Globo

Na semana passada, viu-se na Câmara um fenômeno raro como as eclipses, a maioria do governo obstruiu os trabalhos do plenário.

Poucas vezes foi tão grande a distância entre as políticas públicas do Planalto e a representação do governo no Congresso.

Quem lembrar uma frase dos líderes Romero Jucá ou Cândido Vaccarezza explicando uma iniciativa da doutora Dilma ganha uma viagem de ida a Havana.

Se o problema fosse só esse, talvez tivesse solução fácil. A dificuldade está na falta de parlamentares dispostos a se fazer ouvir falando coisas relevantes a respeito de temas como saúde, educação ou segurança.

A culpa não é toda deles, pois também não sabem o que devem discutir. O PT disciplinou suas bancadas ensinando apenas o que não devem dizer.

A abulia dos poderosos da ocasião produziu um governo atrelado a uma agenda circunstancial, defensiva e oca.

Arrisca-se a transformar em profecia uma frase do deputado Luis Eduardo Magalhães: “Não há perigo de dar certo”.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

ATAQUE DE NERVOS


editorial do Estadão:

A sucessão de escândalos de corrupção no governo federal parece estar levando a presidente Dilma Rousseff ao limiar do descontrole. Segundo o noticiário de ontem, ao tomar conhecimento da prisão, pela Polícia Federal (PF), dos envolvidos na Operação Voucher, que apura irregularidades no Ministério do Turismo, Dilma demonstrou “grande irritação”. De acordo com fontes palacianas, classificou de “acinte” o fato de os detidos terem sido algemados, reclamou “furiosa” por estar sendo a toda hora surpreendida por operações da PF que lhe criam problemas políticos e cobrou satisfações do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a quem a PF é subordinada.

É fácil entender que a chefe de governo perca a paciência ao se dar conta das proporções em que o aparelho estatal que herdou está contaminado pelo fisiologismo que seu antecessor institucionalizou. É igualmente compreensível sua aflição diante da grave ameaça que a denúncia e a repressão dos arrastões nos ministérios representam para a estabilidade da base de sustentação de seu governo. Afinal, hoje está mais do que evidente que o que manteve em pé essa construção, meticulosamente edificada ao longo de oito anos, foi a tolerância com os gambás introduzidos nos galinheiros.

Mas a ênfase com que a presidente passou a manifestar sua contrariedade com esses espetáculos pode dar margem à interpretação de que está tomando as dores dos denunciados, em vez de manter a atitude de isenção e respeito ao funcionamento das instituições que sua alta investidura exige. À chefe do governo não cabe “enquadrar” a PF, como têm sugerido, ou mesmo exigido, colaboradores e aliados. A polícia existe para investigar delitos e reprimir a ação de criminosos, colocando-os à disposição da Justiça. E deve agir de acordo com normas de procedimento que, se infringidas, sujeitam os responsáveis pelas infringências, por sua vez, a investigação, julgamento e, se for o caso, punições cabíveis. Não cabe, portanto, a altas autoridades palacianas, classificar de “exageradas” ou “atabalhoadas” as ações da PF que lhes criam problemas políticos. Nem ao líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza, declarar que “houve abuso de poder do Judiciário e do Ministério Público”.

Até agora a presidente Dilma Rousseff vinha se comportando publicamente com exemplar sobriedade diante das repetidas denúncias de corrupção, apoiando a necessária “faxina” nos setores da administração comprometidos com a bandalheira. E essa atitude tem sido respaldada pela opinião pública, como demonstram as pesquisas. Mas a sua reação diante do mais recente capítulo de uma sucessão de escândalos como nunca se viu antes na história deste país, parece revelar que se está tornando irresistível a pressão daqueles que, tanto no governo como na base aliada, não admitem senão a maneira lulopetista de governar.

Pressionada por todos os lados e preocupada, principalmente, com o tensionamento das relações entre governo e PT, de um lado, e PMDB, do outro, Dilma recorreu a quem entende do assunto para se aconselhar. Em reunião com Lula em São Paulo, na terça-feira, foi orientada a “repactuar” a aliança com o maior partido da base aliada, cujos interesses estão sendo afetados pelos escândalos nos Ministérios da Agricultura e do Turismo. Resta saber o que Lula entende por “repactuar”.

Depois da porteira arrombada, parece impossível conter a catadupa de denúncias na mídia e as ações policiais contra o arrastão na administração pública, em especial na federal. É uma simples questão de se colher o que foi plantado durante oito anos. Trata-se, é claro, de uma lavoura que não foi inventada por Lula e pelo PT, que na verdade criaram fama denunciando pragas. O lulopetismo apenas aperfeiçoou métodos de semeadura e colheita. E o PMDB é o segundo maior beneficiário de toda essa criatividade. Na hora em que esses benefícios se transformam em constrangimento, “repactuar” a aliança parece significar a promessa do impossível ao parceiro: acabar com as denúncias e com as operações policiais e com a repercussão de tudo isso na mídia.

Dá para entender, portanto, a irritação da presidente. E lamentar que ela esteja dirigida na direção errada.

A OPERAÇÃO DA PF QUE DEIXOU O GOVERNO ASSUSTADO

fonte: Folha de São Paulo

A Operação Voucher, deflagrada no último dia 9 pela Polícia Federal, investiga um suposto esquema de desvios relacionados a convênio firmado entre a ONG Ibrasi (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável) e o Ministério do Turismo para capacitação profissional no Amapá.

Ao todo, 36 pessoas foram presas na operação em Brasília, São Paulo e no Amapá, incluindo o atual secretário-executivo do ministério, Frederico Silva da Costa, que está na pasta desde 2003.

As investigações, que começaram em abril deste ano, apontam que os R$ 4 milhões do Ministério do Turismo que deveriam treinar pessoas no Amapá foram desviados por meio de todo o tipo de fraude, incluindo ONG de fachada, notas fiscais falsas e a conivência de funcionários públicos.

Os problemas começam desde a escolha da instituição, feita pela deputada federal Fátima Pelaes (PMDB-AP) por meio de emenda parlamentar. A entidade, apesar de criada em 2006, não funcionou até junho de 2009, quando uma reunião de conselheiros mudou o nome e a finalidade da entidade para trabalhar com turismo.

Mesmo sem experiência no setor, a PF afirma que o Ibrasi apresentou atestados falsos de que trabalhou para instituições públicas e, assim, conseguiu o aval do ministério para receber os recursos da emenda.

Segundo a polícia, o plano de trabalho para gastar o dinheiro contém situações que seriam absurdas, como a previsão de treinar 6.900 pessoas no Amapá. Destas, 5.000 por vídeo conferência.

As informações, classificadas como "manifestamente falsas" pela Justiça, foram acatadas por funcionários públicos para aceitar os convênios e liberar os pagamentos, alguns antes da comprovação do serviço.

NOTAS FALSAS

Muitas das notas fiscais apresentadas pela ONG eram falsas, segundo uma perícia feita pela PF. A polícia chegou a conclusão que notas de empresas diferentes, situadas em Estados diferentes, eram preenchidas pela mesma pessoa. Nas gravações telefônicas feitas com autorização judicial, os funcionários do Ibrasi diziam quais valores seus clientes deveriam incluir na nota.

A fraude acontecia porque os clientes eram os próprios donos da ONG. O diretor financeiro da instituição, Sandro Saad, teve uma de suas empresas, a Manhattan, contratada por R$ 1,2 milhão pelo Ibrasi com o dinheiro público.

Para ser contratada, a empresa participou de uma suposta concorrência contra a MPG, empresa que tem como sócio o mesmo Sandro Saad.

Segundo a PF, todas as supostas concorrências do Ibrasi foram forjadas, usando as chamadas "empresas de cobertura". Desta forma, a concorrência já estava direcionada e outras empresas entravam com preços maiores para dar cobertura à vitória da escolhida. Mas, neste caso, a combinação deu errado.

Uma das companhias usadas não foi avisada da cobertura e, quando a Polícia Federal foi investigar, em abril, o dono ligou para um dos operadores do esquema e falou: "Tá (sic) cinco policiais [na empresa dele], não mandei você usar porra (sic) nenhuma da minha empresa".

"AJUDA" DO NÚMERO 2

A cobertura para o esquema fraudulento também acontecia dentro do ministério, conforme aponta a PF. Em conversas telefônicas, uma funcionária do ministério diz que foi designada pelo secretário-executivo para ir até o escritório de um dos empresários para ajeitar a prestação de contas.

As investigações também mostram uma gravação que indica que o secretário-executivo da pasta sabia do esquema. Após uma reunião, relata a funcionária, a secretaria de Treinamento da pasta, Regina Cavalcante, saiu da sala dizendo que Costa "sabia de tudo, tudo que a gente fazia era por ordem dele".

Número dois na hierarquia do ministério, Costa está na pasta desde 2003. Em 2011, quando Pedro Novais (PMDB-MA) foi nomeado ministro, Costa foi alçado ao cargo de secretário-executivo, apadrinhado pelo líder do partido, Henrique Eduardo Alves (RN).

Desde abril, funcionários de empresas já sabiam que estavam sendo monitorados. Em um dos diálogo, um empresário diz que "estão fechando o cerco" e, segundo a PF, havia vários indícios de que estavam destruindo provas.

OUTRO LADO

Em nota divulgada no dia da operação, a deputada Fátima Pelaes afirmou que não é "responsável pela liberação, pagamento, execução e fiscalização do convênio entre o órgão público e a entidade, para implementação do objeto da referida emenda, cabendo estas ações aos órgãos responsáveis". Advogados de Costa também afirmam que ele não participou de esquema ilícito.

O advogado do Ibrasi nega que a entidade tenha criado uma organização criminosa para desviar recursos da pasta. A Folha não conseguiu contatos com o advogado de Sandro Saad.

O esquema que usou empresas falsas para desviar dinheiro em convênio com o Ministério do Turismo planejava fraudar e lucrar com os programas de capacitação do governo para a Copa-2014 e a Olimpíada-2016, segundo as justificativas do Ministério Público Federal para pedir as prisões na Operação Voucher.

RESPOSTA DO MINISTRO DA JUSTIÇA À FÚRIA DE DILMA

Alvo da fúria de Dilma por não ter informado o Planalto sobre as prisões no Ministério do Turismo, José Eduardo Cardozo recebeu ontem o deputado e ex-policial federal Fernando Francischini (PSDB-PR) e defendeu a ação da PF. Disse Cardozo a Francischini:

*A operação da PF no Turismo foi justa.

*Pode defender os procedimentos da PF na operação.

*Não tem ninguém preso injustamente.

*A operação não era da PF. É do Ministério Público Federal e da Justiça Federal.

Cardozo disse também que não poderia ter conhecimento antecipado porque a operação estava sob segredo de Justiça e seria crime se soubesse ou avisasse Dilma.
Dilma parece tomada pelo espírito de Lula, pensando que pode tudo. Presidente pode o que a Constituição permite, nada mais!


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

A FACHADA É QUE INTERESSA!


Gravações feitas pela Polícia Federal com autorização judicial mostram que o secretário-executivo do Ministério do Turismo, Frederico Costa, teria orientado dirigentes de empresas a montar negócios onde o mais importante era a fachada.

Na conversa, revelada [ontem] pelo "Jornal Nacional", Frederico diz a Fábio de Mello, apontado como dono de uma das empresas subcontratadas pela ONG Ibrasi, que era necessário buscar um prédio grande para garantir credibilidade ao serviço da entidade.

- Pega um prédio moderno aí, meio andar, fala que tá com uma sede que está em construção - diz Frederico, na gravação.

- A gente tem um prédio de três andares, grande - responde Fábio.

- Mas o importante é a fachada. Tem que ser uma coisa moderna que inspira confiança em relação ao tamanho das coisas que vocês estão fazendo.

Fábio de Mello está na lista de 18 das 36 pessoas presas na Operação Voucher que foram ouvidas pela PF ontem e liberadas. Outros 18 permanecem presos. Entre eles Frederico Costa.

Quatro servidoras do Ministério do Turismo emitiram nota técnica em que atestam a execução de serviços e aprovam a liberação de dinheiro para o programa "Governança do Turismo no Amapá", do Ibrasi. As quatro servidoras - Gláucia de Fátima Mato, Freda Azevedo Dias, Kátia Terezinha Patrício da Silva e Kerima Silva Carvalho - estão entre os 36 presos pela Polícia Federal na Operação Voucher, na terça-feira.

Segundo a PF, a ONG desviou quase o valor integral dos recursos repassados pelo governo e não executou os serviços.

EM QUEDA! REGULAR POSITIVO?


A presidente Dilma Rousseff disse nesta quinta-feira que vê com tranquilidade o resultado da pesquisa Ibope, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que mostra queda na aprovação do governo.

Segundo a pesquisa divulgada na quarta-feira, a avaliação favorável do governo (soma de ótimo e bom) caiu para 48%, no levantamento anterior, em março, era de 56%. A aprovação da maneira de a presidente governar também diminuiu, de 73% em março para 67% em julho.

- Temos que tratar com respeito e avaliar por que houve essa variação, mas não podemos pautar nossa atuação pela pesquisa. Ela sobe, ela desce, vejo com tranquilidade o resultado - disse a presidente em entrevista a rádios de Fortaleza.

Dilma disse também que o governo está atento à crise econômica.

- A bolsa (de valores) cai todo dia. Há um processo de fragilidade na Europa. Houve essa briga política no Congresso dos Estados Unidos, tudo decorrente da crise de 2008 - afirmou a presidente.

Dilma está no Ceará , onde visita nesta manhã as obras de terraplanagem da Companhia Siderúrgica do Pecém e inaugura a correia transportadora de minérios do Complexo Industrial.

A pesquisa anterior, do Vox Populi, tinha duas opções esdrúxulas para avaliação do governo Dilma: regular positivo e regular negativo! Ridículo!

DILMA PREOCUPADA COM ALGEMA DE PRESO


Presidente classificou de “acinte” conduta da polícia federal em operação por suspeita de desvios no ministério do turismo.

Insatisfeito com o que classificou de “exageros” da operação voucher, o palácio do planalto exigiu que o ministro José Eduardo Cardozo (justiça) cobrasse explicações da polícia federal sobre o uso de algemas nas prisões realizadas pela instituição. A presidente Dilma Rousseff ficou “furiosa” ao ver, logo pela manhã de ontem, foto de um dos detidos chegando algemado a Brasília. Tratava-se do secretário-executivo do ministério do turismo, Frederico Silva da Costa, suspeito de integrar o esquema de desvios de verbas no ministério do turismo. A operação levou à prisão 36 (trinta e seis) pessoas anteontem.


Ela chamou de “acinte" a forma pela qual a polícia federal conduziu a ação policial. A interlocutores disse ter visto excessos e, por isso, deu ordem ao titular da justiça para responder de forma enérgica. José Eduardo Cardozo seguiu a determinação. Enviou ofício ao diretor-geral da PF, Leandro Coimbra, pedindo explicações, "em caráter de urgência", para o uso de algemas. Os termos do ofício foram considerados duros para o perfil conciliador do ministro: "caso constatada qualquer infração às regras em vigor, determino a abertura imediata dos procedimentos disciplinares cabíveis".

E corrupto merece ser tratado com respeito?

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O SUPERMACUNAÍMA


de Augusto Nunes

Se estivesse em Bariloche, Barack Obama não teria reconhecido o cara. Chegou sorridente, mas atravessou a reunião emburrado, não contou piadas nem fez gracejos, irritou-se com companheiros, não sorriu sequer quando agarrou o microfone, seu brinquedo preferido. O que houve com o brasileiro que sempre foi o mais animado da turma? Transmissão ao vivo, soube-se no fim da reunião da Unasul. Nada a ver com virus e gripes. Transmissão ao vivo pela TV, esse foi o problema que acabou expondo aos olhos dos parceiros um Lula que desconheciam.

Em transmissões ao vivo, explicou ainda amuado, “as pessoas ficam mais preocupadas com seu público interno e não falam o que pensam e o que sentem”. O Exterminador do Plural pronunciou com ênfase a consoante final de essas e pessoas para driblar o singular revelador: “essas pessoas” eram uma só. Lula falava de Lula. Ninguém mais ficou perturbado com câmeras e luzes vermelhas. Todos foram o que são. O encontro reproduziu, nitidamente, a cara feia e assimétrico da América do Sul.

Bem menor que a outra, a face civilizada exibe a chilena Michelle Bachelet e o colombiano Alvaro Uribe. Michelle sempre fica no seu canto. Cabe a Uribe enfrentar a turma das cavernas. É o único que, além de parecer presidente, pensa e age como tal. Tomara que não seja contaminado pela epidemia do terceiro mandato. Se escapar, sua esplêndida solidão terá provado que mesmo nestes tempos escuros houve vida política inteligente no sul da América..

Altivo, paciente, didático, Uribe começou o pronunciamento avisando que não estava ali como réu, mas como chefe de governo de uma democracia soberana. E deixou claro que o barulho sobre as sete bases que abrigarão 1.400 militares e civis americanos é outra esperteza diversionista de quem tem muitos pecados a ocultar e muita gente a enganar. Dos vizinhos, lembrou, recebe manifestações de pesar depois de algum atentado. Ajuda efetiva, só dos EUA. Os integrantes da Unasul ou ficam de braços cruzados ou estendem a mão solidária ao inimigo que trocou a fantasia comunista pelo comércio de drogas. A guerra contra o narcotráfico vai continuar e as Farc serão liquidadas, comunicou Uribe.

A Colômbia não tem pendências territoriais a resolver, não ameaça ninguém. O perigo não mora lá. Mora ao lado, e vai tornando cada vez mais repulsiva a face primitiva da América do Sul. Lembra a cara de um botequim sem gerente. Quem fazia de conta que exercia essa função é o único que se expressa numa lingua parecida com o português. Agora ficou claro que Lula é apenas mais um no meio da turma que berra, murmura, desconversa ou se omite em mau espanhol. Manda no botequim o garçom Hugo Chávez, chefe do boliviano Evo e do equatoriano Rafael. Eles servem à freguesia o que lhes vem à cabeça. Ninguém reclama.

Fiel a seu estilo, também fora do Brasil Lula sobe ao cadafalso para fingir que vai salvar da guilhotina o inocente enquanto cumprimenta o carrasco. O governo colombiano apreendeu num acampamento das Farc armas de fabricação sueca compradas pela Venezuela. Uribe pediu explicações. Silêncio no Itamaraty. Chávez revidou com a falácia de que o acordo entre a Colômbia e os Estados Unidos ameaça a região. Berros solidários no Itamaraty. Nenhum sussurro sobre os bilhões de dólares que o comandante bolivariano vem torrando em armas soviéticas. Nada sobre o noivado entre Chávez e o Irã.

Só pode ser praticada nas sombras uma política externa covarde, ambígua, malandra. Pega mal mostrar ao mundo que o Brasil é comparsa de farsantes que procuram o futuro num passado que não deu certo. Compreensivelmente, Lula limitou-se a balbuciar banalidades, recitar lugares comuns e propor reuniões com Obama. Transmitido ao vivo, o falatório revelou que o cara é um brasileiro fantasiado de Supermacunaíma.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

MARTA SUPLICY SE ESCONDE, DE JORNALISTAS, NO BANHEIRO


De Maria Lima, O Globo

Responsável pela nomeação do ex-presidente da Embratur Mário Moysés, preso nesta terça-feira na Operação Voucher, a senadora Marta Suplicy (PT-SP) chegou a se esconder no banheiro do cafezinho do plenário para fugir dos jornalistas.

Impecável num tailler vermelho, Marta se encastelou na cadeira de presidente de olhos grudados no computador enquanto os senadores da Oposição se revezavam para criticar o novo escândalo de desvio de cerca de R$4 milhões no Ministério do Turismo, durante parte de sua gestão na pasta.

Mário Moysés foi braço direito de Marta em São Paulo, inclusive em suas campanhas políticas. Mas ela se negou o tempo todo a falar sobre o rombo na pasta que administrou.

Durante todo o tempo em que ela presidiu a sessão, Marta se manteve com cara de amuo.

Quando o senador Mário Couto (PSDB-PA) falou de "ladrões" no Ministério do Turismo, citando as prisões de Frederico e Mário Moysés, Marta virou o rosto para o outro lado e ficou fazendo cara de impaciência.

- Malditos aqueles que roubam! Mas vão pagar, doa a quem doer, presidenta! - bradava Mário Couto, enquanto Marta nem se movia na sua direção, mantendo os olhos fixos na tela do computador a sua frente.

Por volta das 17 horas, quando o presidente José Sarney(PMDB-AP) chegou ao plenário para presidir a ordem do dia, ela não se levantou da cadeira.

Ele teve que ficar por alguns minutos em pé no plenário enquanto Marta, atabalhoadamente tentava ela mesma presidir a ordem do dia.

Mas, nervosa, começou a discutir uma matéria, sem sequer anunciar a abertura da ordem do dia.

- Para começar a ordem do dia, Vossa Exelência tem que primeiro anunciar a abertura da ordem do dia - repreendeu Mário Couto.

- Vou abrir, vou abrir - disse Marta.

Quando Sarney subiu à Mesa e retomou seu lugar, Marta continuou sentada ao seu lado, enquanto o grupo de jornalistas a aguardava embaixo.

Por fim, ela saiu da Mesa, mas refugiou-se no banheiro do cafezinho. Os jornalistas se deslocaram então para a porta do banheiro e esperaram por mais de 20 minutos enquanto ela despachava lá dentro com assessores.

Quando finalmente ela saiu do banheiro, caminhou a passos largos fingindo que falava ao celular, ignorando as perguntas dos jornalistas sobre a prisão de seu homem de confiança.

- Não vou falar, tudo que tinha a dizer já falei - negou-se Marta, subindo novamente para a Mesa.

PF INVADE MINISTÉRIO DO TURISMO. QUE GOVERNO É ESSE?


O secretário-executivo do Ministério do Turismo, Frederico Silva da Costa, que tem o cargo mais importante da pasta depois do ministro, está entre 38 presos na Operação Voucher da Polícia Federal, deflagrada na manhã desta terça-feira (9).

Conforme a PF, a ação visa "combater o desvio de recursos públicos destinados ao Ministério do Turismo por meio de emendas parlamentares ao Orçamento da União".

O G1 procurou a assessoria de imprensa do ministério, que disse que ainda não tem informações sobre a operação. Dirigentes do ministério estão reunidos com a consultoria jurídica da pasta para decidir quais procedimentos serão adotados.

Conforme a PF, a operação contou com 200 agentes que cumpriram 19 mandados de prisão preventiva (sem prazo determinado), 7 de busca e apreensão e outros 19 de prisão temporária (de cinco dias prorrogáveis por mais cinco dias), em Brasília, São Paulo e Macapá (AP).

Além do secretário-executivo, foi preso o secretário nacional de Desenvolvimento de Programas de Turismo, Colbert Martins da Silva Filho, um ex-presidente da Embratur, além de empresários, diretores do ministério e funcionários do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável (Ibrasi). O G1 tenta contato com dirigentes do Ibrasi.

Só em Brasília foram cumpridos 10 mandados de prisão preventiva, 2 de busca e apreensão e 5 de prisão temporária. Todos os presos temporários serão transferidos para Macapá, segundo a Polícia Federal.

Conforme a assessoria do ministério, o ministro do Turismo, Pedro Novais (PMDB), está em São Paulo e chega a Brasília no começo da tarde desta terça.

A Operação Voucher foi realizada pela superintendência regional da PF no Amapá, com o apoio das superintendências regionais em São Paulo e no Distrito Federal.